Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Nos tempos modernos são muitos os nossos ídolos da cozinha. No entanto, quando penso na minha infância lembro-me das mãos enrugadas da minha avó amassando com carinho e determinação as filhoses, estendendo a massa dos rissóis e atirando com genica a abóbora gila ao chão. Nessas mãos começava a minha paixão pela cozinha. Para quem é criança, assistir com atenção a um cozinhado de avó é como ver magia em primeira fila, com direito a recompensa gulosa da primeira prova (e algumas provas repetidas a dedo, sempre quando a avó virava costas).

Para além destas memórias caseiras, recordo-me de ver na televisão aquela senhora sempre impecavelmente penteada, com ar despachado, voz doce mas segura de si, ensinando-nos a cozinhar de forma fluida e descomplexada. Hoje li que Filipa Vacondeus não gostava que a chamassem Chef, apesar dos muitos livros publicados e das suas participações televisivas. Esta senhora foi uma autodidacta que partilhou connosco muitos sabores, ensinando com os valores de quem cozinha com coração, sem pretensões de títulos e antes com preocupação de evitar o desperdício.

O mundo da cozinha portuguesa ficou hoje triste com a sua perda. Mas a minha geração recordará para sempre esta querida Senhora, com o mesmo respeito de quem admira um verdadeiro Chef, pois a autenticidade dos saberes também se atinge quando nos chegam da boca ao coração.

Descanse em Paz querida Filipa

filipa_vacondeus.jpg

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

1 Ano de Blog

29.09.14

 

O Blog faz hoje 1 ano!

233 posts escritos e partilhados convosco... os reflexos dos dias de angústias e dos dias de gargalhada. Tal como o título previa, há dias e dias. Fiquei mais forte com aqueles dias em que o meu coração se aperta e passei a dar mais valor aos dias de rotina. Deixei de ser tão exigente com a vida.

Aqui vou deixando um registo livre dos meus gostos e pensamentos, escrevendo só o que me apetece e quando tenho vontade. Se fosse de outra maneira não escrevia do coração. Passado um ano fico feliz por vos ter confiado estas memórias e guardar aqui um bocadinho do que sou e que um dia mais tarde o Francisco pode ler sem ficar dependente da minha memória de velhinha esquecida.

Não escondo que seria bom ter uma vidinha "normal", sem montanhas russas entre picos abruptos de emoções. Mas o balanço que faço é que sou capaz de ser feliz neste oscilar dos dias. Confesso que tudo se passa com tanta intensidade e numa latitude de sentimentos tão grande que pareço padecer de um jet lag da vida, suspirando por algum descanso, um pouco sono reparador. O corpo já paga com úlcera esse desgaste das preocupações que a custo desinstalo da cabeça e sorrateiramente pareço preferir corroer noutro órgão. Prefiro assim, desde que a minha cabeça me deixe livre para sonhar.

E passado um ano, sorrio e continuo a sonhar. Venham muitos mais capítulos. 

 

PS - Diz a minha querida Avó Lurdes que já tem uma pasta cheia de prints deste blog. Só por saber que a minha Avó lê, relê e até imprime os posts como se fossem parte de um livro, já valeu a pena. É um conforto saber que lhe posso encher mais um pouco de uma vida tão vivida com a minha.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Setembro

11.09.14

Estou de regresso.

Passei os últimos tempos em projectos alucinantes misturados em loucura, coragem e paixão.

Às vezes é um pequeno impulso inexplicável que nos faz avançar. Deixar medos e comodismos e tentar arriscar por caminhos que sonhámos.

É fácil sonharmos. Todos temos vontades e gostos. Mas é difícil arriscarmos. Temos sempre boas desculpas para nos convencermos a deixar os nossos sonhos em papeis amarrotados secretamente nos bolsos. Ser Mãe de um menino especial podia dar-me uma excelente desculpa para levar os meus dias num quotidiano sossegado e apenas surpreendido por dias de hospital não desejados.

Só que esta doença incurável fez-me relativizar e perceber que a vida são dois dias que pouco controlamos. Não posso curar o Manel. Então devo sorrir a cada dia que o vejo sorrir. E devo mesmo procurar sonhar para provar ao Francisco que o Manel não nos limita, ensina-nos antes a sermos simplesmente mais felizes.

Ninguém me vai conceder uma segunda vida... uma segunda tentativa para viver sem a doença do Manel e apenas e tão só com tudo o que de bom eu seleccionasse desta vida. Se só tenho esta vida, não posso desperdiçar os momentos de maior estabilidade do Manel para ser feliz.

Obrigada por todas as mensagens nas quais me perguntaram pelas minhas crias. Os meninos estão de volta à escola e a uma rotina que para nós tem um valor de ouro. Não há dia que os deixe na escola sem deixar de agradecer a Deus por estarem ali os dois, juntos, sem ninguém no hospital. E as férias, apesar de muito curtas, tiveram direito a idas ao mercado, abraços de água salgada, passeios de barco, castelos na areia, brindes, risos e sangrias ao luar. Não precisamos de muito mais.

Sejam também muito felizes!

Estou de regresso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

À saída de casa o Francisco viu-me com uma mala e perguntou-me se íamos de férias.
Expliquei que vinha com o Manel aos médicos para ver se o ajudam a dormir melhor e nos seja finalmente possível mudar a cama do Manel para o quarto do Kiko que se deseja tanto seja partilhado pelos manos.
Com a mesma compreensão de sempre recebi um beijo amigo do Kiko. Também acrescentou em tom sério que eu era um amor. Acredito que Deus muitas vezes me fala nesta voz de criança pequena. O Kiko fica tranquilo com o Pai e eu sigo para o Hospital mais confortada.
Nós regressamos aos apitos das máquinas, aos choros que dançam nos corredores, fardas e rotinas de colocação artesanal de fios e eléctrodos a cola na cabeça. Parece que a ultima vez foi ontem e fico com a cabeça num turbilhão das memórias. O Manel está mais crescido e oferece maior resistência. Não tem memórias apesar de ser dele o internamento. Melhor assim.
A mim resta-me pensar que é só uma noite. Das outras vezes eram sempre muitas e incertas as noites.
Aqui de vigília te guardo fazendo figas para que te curem ao menos do sono para sonharmos mais alto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Eu e o Francisco somos amantes das feirinhas e vibramos com as músicas do Tony Carreira que se ouvem nos altifalantes, interrompidas pela senhora dos carrinhos de choque que grita para alguém rodar o volante ou por a ficha para mais uma voltinha.

Todos os anos ficamos animados com a "nossa" Feira de Oeiras e desejosos para descobrir se há novos carrosséis, apesar de sermos fãs fieis dos clássicos carrinhos de choque e das chávenas que giram no mesmo carrossel de há anos e anos.

Há coisas que não mudam.... desde pequena me lembro dos rapazes que trabalham nos carrinhos de choque e conduzem sentados nos encostos e não nos bancos, com um ar de "sou muito mau e não se metam comigo que ando nisto todos os dias". A cada paragem a criançada salta e roda maluca e ouve-se sempre a birra da menina que queria o carro cor de rosa ou do menino que queria a mota e já está ocupada! Mas assim que se inicia nova voltinha, já está tudo a postos para novos embates!

No carrossel é assistir aos paizinhos a dar indicações para os filhos não se largarem e os putos acenam delirantes enquanto lhes tiram as fotos para mostrar aos avós... e há sempre aquele que chora com medo enquanto outro grita por mais velocidade.

Este ano a feira tem uma mini montanha russa que parece construída nos anos 70. O Francisco não teve medo nenhum e eu ao lado gritava a rir de nervoso com receio que algum parafuso ou ferro saltasse! A montanha russa não tem descidas, loopings, nem rapidez alucinantes mas o barulho dos carris tão gastos dão mais adrenalina que qualquer diversão dos  parques famosos. Tenho mesmo de  aproveitar enquanto o Francisco gosta que o acompanhe e ainda não tem vergonha dos gritos risos da Mãe. O Pai delicia-se a assistir sossegado ao espectáculo dos nossos gritos.

Tanta agitação provoca fome e no ar mistura-se sempre o aroma do açúcar do algodão doce, com os óleos das farturas e fumos das sardinhas. Ir à feira uma só vez não chega. É que posso "matar a fome" rapidamente das diversões, mas não tenho estômago para de uma vez só satisfazer os desejos das farturas, pipocas algodão doce, pão com chouriço quente acabado de sair do forno, caracóis, bifanas! Temos de lá voltar!

Tenham cuidado é com os roubos! Um balão = 5 euros senhores! Um escândalo! Mas enfim, o balão tem sido a maior diversão do Manel lá em casa que adora passear o balão e tentar "morde-lo" sempre que o Francisco está mais desatento. Gosto de ver o ar satisfeito do Francisco a sair da feira agarrado ao seu balão, igual ao meu ar feliz agarrada a um manjerico e aos sacos de biscoitos de erva doce e limão!

Vivam os Santos!

  

 

 

 

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

As comidas e eu

03.06.14

No fim de semana fiz pela primeira vez uma pavlova. Para quem não conhece é uma sobremesa em que a base é um suspiro gigante, levando por cima uma camada de chantilly e frutas. Um pecado irresistível. Não ficou perfeita, preciso tentar ajustar melhor a receita. De qualquer forma, não sobrou nada o que me incentiva a aprimorar o doce.

 

 

Enquanto cozinhava, lembrava-me que esta é uma das sobremesas preferidas da minha irmã do meio que está noutro Continente distante. 

 

A comida traz-me recordações de infância (dos tempos em que com 4/5 anos já aprendia a cozinhar com a minha Avó) e memórias de amigos e família que estão longe. Não há vez que prepare uma mousse de chocolate sem me lembrar da minha Avó que está no céu. Ou que pense em tarte de leite condensado sem me lembrar da Katucha ou da Fatty. O rolo de carne é o da Madrinha e quando escuto alguém falar em bimby os meus pensamentos estão nas minhas primas e cunhada. Não há tarte de maçã melhor do que a da minha Mãe. E que saudades dos caracóis do Pai da Filipa. Mais recentemente Fondue tornou-se sinónimo de casa dos Malatos. E assim vou catalogando as comidas com os nomes e lembranças da família ou dos amigos.

 

Mas há um problema grave, gravíssimo. Eu só não gosto de dobrada, sardinhas e pés de porco (ok insectos também se formos "chiques" e pensarmos em cozinha internacional). De resto, adoro tudo. Podia ser esquisita e ter uma figura de meter inveja. Mas gosto tanto de comida que sou capaz de fazer quilómetros só para ir comer ao restaurante X ou Y. Nas férias sou menina para acordar com o despertar dos miúdos na hora em que o galo canta e ponderar ir para a praça ou mercado pela fresquinha tentar encontrar lingueirão para um arroz malandro! Pensar no jantar antes mesmo de tomar o pequeno almoço é capaz de não ser normal.

E já ando em pulgas ansiosa pelo Mundial! Não que conheça de cor todos os jogadores da selecção e que consiga assistir aos jogos concentrada (depois de ter miúdos é uma sorte se me aperceber do resultado assim que o jogo acaba - às vezes só me lembro de perguntar no dia seguinte o resultado do jogo que supostamente assisti). Mas é uma excelente desculpa para nos reunirmos em roda da mesa televisão a petiscar!

Eu sou assim, bato com a mão no peito e me confesso a pecadora das mais gulosas!

Mais alguém se confessa?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tenho saudades de ser pequena e sonhar ser crescida

Dos dias em que o tempo parecia infinito

E eu tinha a pressa irrequieta das crianças

Em tempos em que esperávamos impacientes a abertura do canal de televisão.

 

Tínhamos aquela idade especial, sem medo de provarmos o azedo das flores amarelas

Ou das flores das quais puxávamos o fio adivinhando o doce das suas gotas.

 

Conhecíamos bem a rua, os outros miúdos

E juntos riscávamos a giz o alcatrão,

O nosso território de macacas e sirumbas

alimentado a papas de lama e cuidado por pais e mães de meio metro

Onde podíamos gritar e ouvir os nossos pais gritando também para regressarmos a casa.

 

Tempos em que teimávamos que queríamos a piscina e não a praia,

Mas ríamos enrolados nas ondas cheios de areia na cabeça sem nada importar.

 

Podíamos ser caçadores de bichos, lagartas, sapos, bichos da seda, caranguejos

Mas também nos era possível voarmos nos baloiços com um balanço em despique

E enfrentar receios em jogos de quarto escuro

Gritando tantas vezes nos conflitos das batotas,

acusando ou defendendo como se fossemos pequenos juízes da nossa verdade.

 

O nosso quarto era um palco e trampolim de imaginação,

em segundos transformado no nosso faz de conta

ainda mais real se inventado e contracenado com irmãs ou amigas.

 

Tenho saudades de ser criança

Mas tenho muita sorte por ter hoje as minhas crianças com quem brincar.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Nos dias que antecedem o dia da Mãe sinto uma energia secreta na escola. São apenas para já visíveis os avisos de horários das diferentes salas para receberem as Mães numa actividade especial.

Mas sabemos que andam em sigilo de mãos à obra a preparar os presentes mais queridos para oferecerem às Mães.

Hoje o Francisco chegou mais tarde à escola e fui literalmente barrada à entrada da sala pois os artistas já estavam em pleno processo de laboração dos presentes.

Todos estes preparativos são especiais. Principalmente porque o Francisco adora o suspense da não revelação do segredo. Já tentei desvendar e pedir pistas mas incrivelmente o rapaz não cedeu à tentação e replicou-me que teria de esperar pelo grande dia. Não resisto a tentar saber o quê nesta batota inocente. Pareço uma criança a tentar descolar à socapa a fita cola dos presentes de Natal escondidos debaixo da cama dos pais. Até a educadora do Manel me falou da prenda que será feita pelo Manel (sublinho porque será um grande feito). Ficará atrasada pelas faltas febris desta semana, mas seja em que dia for há uma lembrança que será a primeira de muitas. Nem a do Manel consegui ainda topar o que será... apesar de conversar com educadora sempre com olho no redor da sala.

O Francisco sente-se muito importante neste papel de filho dedicado e artista e eu sinto-me no pedestal das Mães. Se o dia da Mulher passa sem grande pompa e circunstância, o dia da Mãe é uma alegria desenfreada. Não era uma pessoa de choro fácil mas dou por mim de lágrima no olho nas actividades escolares. Gente pequena facilmente me faz chorar comovida (mesmo que estejam a cantar alegres ou a representar alguma comédia). É inevitável tirar mil fotos meias tremidas com desculpa dos olhos húmidos que nem me deixam ver com nitidez. Se agora é assim imagino se um dia o Francisco casar... nesse dia vou chorar com ranho e tudo.

Depois no Domingo será certamente combinado um almoço das matriarcas da família. Com a minha Avó, Mãe e eu com as minhas crias. São muitas flores que se juntam e muitos parabéns cruzados.

Neste dia também me lembro da Mãe do Maridão. Há um vazio grande para aqueles que não têm Mãe e não se escapam aos dias dedicados a quem partiu. Se no dia do Pai posso tentar focar-lhe as atenções no facto de o Maridão já ser pai de dois, no dia da Mãe é diferente. Há um vazio insuperável. Pois que mais vale não tentar disfarçar e recordar as lágrimas que aquela Mãe soltava nos adeus comovidos quando o Rui partia para a Universidade de Coimbra ou já para o trabalho em Lisboa. As lágrimas das Mães são sempre verdadeiras e não passam com a idade dos filhos. Permanecem nesse cuidar que se quer sempre tanto. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Autoria e outros dados (tags, etc)

O "meu" Algarve

19.04.14
Adoro de paixão o Algarve. Desde pequena quando a praia dos Salgados, Galé e São Rafael eram minhas e não in. Assim que passo a portagem abro a janela e digo sempre em voz alta que cheira a Algarve e esse perfume é do campo das alfarrobas, das figueiras, amendoeiras, laranjeiras e dos arbustos cujo aroma é parecido ao caril. Conheço bem o Algarve, do barlavento ao sotavento. Gosto das praias mais selvagens entre Sagres e Lagos e das àguas mornas das Pedras e Praia Verde. Há a praia com encosta rochosa sempre abrigada para os dias de vento ou as praias de areal comprido para caminhar nos dias sem rajadas. Depois são as gentes dos moços e moças marafadas onde encontramos amigos de coração aberto e pronúncia acentuada do Sul que nos fazem sorrir. Por aqui também se encontram os amigos lá "cima" que partilham este gosto e nos fazem viver o Algarve como ponto de encontro e de partilha de amêijoas e percebes, peixinho fresco grelhado e de sabor tão puro, das cataplanas, o arroz de lingueirão em tacho que alimenta e conforta... E os doces de massapão, os morgados de figo, tartes de Alfarroba e o malvado Dom Rodrigo de mãos dadas ao café em tamanho certeiro para nos matar a gula quando já antes matámos toda a fome. As ruas de Lagos sempre animadas pelos de cá e pelos que vêm e vão e tantas vezes regressam. Admirar a padaria dos papo secos que nos apresenta despretensiosa uma montanha de folares quentinhos... Os de Olhão também são tão bons. A páscoa pode ser passada com frio, mas com sorte em anos impossíveis de prever é celebrada com Sol e praia. Um luxo! E este Algarve todos os anos parece ficar um pouco mais nosso, dos que não resistem e voltam sempre à procura do Sol.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A minha sobrinha Inês à "pendura" na festa dos 2 anos do Francisco


E a mesma Inês (bem mais crescida) à "pendura" do Manel na festa dos 2 anos deste


Digam lá se os manos não são fotocópia?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um bolo simples de iogurte salpicado com açúcar em pó para uma festa de meninos de bibe...
Reencontrar os novos amigos do Manel e vestir-lhe pela primeira vez o bibe foi como tornar oficial a entrada na escola. Um início em festa para quem está de parabéns por conseguir chegar à escola e ter agora todo um percurso pela frente... Para rabiscar a lápis de cores novas experiências que se querem felizes. Muito delicioso assistir aos meninos em volta da mesa e do Manel, contentes a provar o bolo segurado em dedinhos pequeninos e gordinhos. Uma festa!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temos novos habitantes cá em casa. O Francisco começa a perder o medo e o nojo e ajudou a preparar a caixa de sapatos, o novo T0 dos bichos.
- Mãe tens a certeza que se transformam em borboletas? Ficam mesmo fechados numa bolinha? Quero ir apanhar folhas e vou tratar muito bem dos meus bichos - promete
Recordo-me da minha infância e das horas passadas a pegar nos bichos e a esperar por novidades do ciclo da vida.
No final da tarde brindámos a estas recordações com bolachas Maria com manteiga e açúcar. Não comia há tanto tempo esse petisco com sabor de outros tempos!
Esta foi uma tarde para recordar!

Autoria e outros dados (tags, etc)

A cidade de Havana marcou-nos. Não é uma cidade que orgulhosamente exiba um património recuperado. Infelizmente encaramos Havana com muitos edifícios belos mas gastos e degradados que apenas nos permitem adivinhar um passado esplendoroso e rico. Os automóveis clássicos circulam por todo o lado dando movimento ao passado e comprovando que a mecânica tem capacidades de ressurreição. Ainda assim, a cidade encanta-nos pela música, pelo contraste entre o moderno e o antigo e um povo que vive a sua cidade e a anima. As pessoas são pobres, mas instruídas e alegres. O calor e a vista mar são antidepressivos natos e ninguém aparenta um ar ansioso ou apático. Na marginal de Havana (Malecon) há sempre gente. O nosso guia explicou-nos que os cubanos percorrem a pé aquela estrada marginal em todas as ocasiões da vida. Quando querem pedir uma garota em namoro ou romper com ela. Se um amigo de longa data está em Havana por poucos dias, é certo que o encontram ali no Malecon. Os velhos conversam horas a fio pelos bancos espalhados nessa avenida. Mesmo que um furacão atravesse Havana, garantem-nos que há sempre alguém que não se abrigou e escolheu assistir à tempestade em pleno Malecon. São histórias e cenários que não se esquecem e é de Havana que trazemos mais saudades.

Na praia pretendíamos apenas desfrutar do Sol e das águas quentes. Engraçado como nos submetemos a longas horas de voo para o Francisco nos dizer que o que mais gosta é da piscina. É miúdo e não ligamos, mas estranhamos tantos estrangeiros que preferem passar o dia inteiro na piscina a beber cocktails. O Manel mais uma vez delirou com a água e nem se zangava quando o mergulhávamos no mar. Tínhamos enormes expectativas de o pôr a andar na areia e assim desenvolver a marcha. Cair na areia só tem como consequência mascarar o Manel num mini croquete. Houve vezes que caiu redondo de cara na areia e nem boca nem pestanas ficaram a salvo. Uma banhoca no mar e estávamos prontos para mais. Infelizmente o Manel ficou doente, com febre, tosses e ranhos. A febre apareceu como se tivéssemos de enfrentar um furacão. Trancados no quarto, desesperados. A médica apareceu e confirmou que seria gripe, a que os cubanos gostam de chamar catarro. Ora pois que a nossa formiga apesar de nem fumar charutos, apanhou catarro em Cuba. Temos uma sorte! Apeteceu-nos fugir de imediato para Portugal. Não gosto de febres, seja em que sítio for mas no estrangeiro assustam-me mais. E se isto fosse o início de mais uma bronquiolite? Íamos ficar ali presos em internamentos em Cuba? Escolhemos esse país para irmos descansados quanto a medicina, mas não queríamos de todo ter uma experiência hospitalar. Férias=Descanso. Ninguém pediu a febre, podem por favor levá-la de volta?

Uma desgraça nunca vem só e eu fiquei durante 7 dias a chá, pão e soro bebível.  Sim que uma pessoa perde toda a dignidade quando vai ao médico queixar-se que não consegue ter um raio distante da casa de banho... isto numa senhora parece mal. As senhoras não deviam padecer disso. Os puns das senhoras deviam ser sempre inodoros e não audíveis e toda a gente sabe que as senhoras nem cocó fazem. Por isso cheia de boas maneiras tentei explicar com eufemismos a minha maleita e o médico do hotel não vai de modas e diz-me que uma injecção é o melhor remédio. Preparo o braço e diz-me que não, tem que ser na nádega. Enquanto me viro contrariada e a sentir que bati no fundo da dignidade e que não nasci para ser feliz (nem de férias nos intervalos da vidinha) sou avisada que a injecção tem 3 componentes. Um cocktail portanto, o único que consumi. É que nem um Mojito, nem uma Cuba Libre, nada, só aviei uma injecção de penalty! A estas férias devíamos descontar três intensos dias de maleitas minhas e do Manel. O Francisco conseguiu manter sempre o astral em alta e ficava histérico quando o mordomo nos trazia o jantar ao quarto. Tudo foi motivo de alegria para o Francisco. No último dia a febre foi embora e eu consegui ganhar raio de acção até à praia. É sempre assim... no último dia é que apanhamos o dia com mais calor, menos vento e água mais quentinha. .. aquele agridoce irónico das últimas horas no paraíso. No regresso o Manel teve um ataque de tosse de 3 horas antes de entrarmos no avião. Eu e o Rui conseguimos rir quando nos lembramos que enfim, em caso de necessidade, o avião tinha máscaras de oxigénio. Valha-nos isso. Enfim, tentámos ir longe para nos desafiarmos numa vida normal. Conseguimos chegar. Conseguimos ficar doentes. Conseguimos melhorar e regressar. Calem-se as vozes insolentes dos que avisam que viajar com crianças é uma loucura e já se adivinha que há sempre alguém a ficar doente. Quando ficámos doentes pensei que as férias tinham sido o disparate mais parvo a que me predispus. Depois no último dia ao dar um mergulho espantoso pensei que apenas tínhamos saldo negativo nas férias, mas não podia esquecer alguns momentos bons. Agora que já passaram mais dias recordo que as férias tiveram um saldo 50/50 entre o bom e o mau. Daqui a duas semanas já vou conseguir dar mais valor ao positivo e inverter as avaliações anteriores. Temos que nos distanciar em tempo do mau para valorizar o bom. Para o Francisco o saldo das férias foi do melhor. Adorou ver os golfinhos e a piscina. Na escala em Madrid até se atreveu a perguntar se o segundo avião que apanhávamos seria de regresso a Cuba. Enfim, vai uma pessoa tão longe com piscina em casa e golfinhos a 15 minutos no zoo de Lisboa. Havia lá necessidade! Se tiverem histórias de maleitas em férias, partilhem por favor que uma pessoa conforta-se sempre!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tia há 11 anos!

09.04.14

Hoje a minha Petisca faz 11 anos.

O bolo tem sido debatido há meses e a descrição de todos os detalhes muito bem pormenorizados de quem sabe o que quer. Adoro fazer os bolos da Maria e alimentar-lhe os sonhos. É sem dúvida a "cliente" mais exigente que eu tenho.

A Maria já não é pequenina, é maior do que eu. As festinhas já não têm princesas mas a fantasia ainda mora naqueles olhos que parecem estar sempre a rir.

A Maria faz-me muita companhia e ocupa-me um espaço no coração entre a filha e a irmã mais nova que eu não tenho. Admiro-a muito pelo seu optimismo e determinação. Raramente a vejo duvidar se será ou não capaz.

A Maria tem muitas medalhas de mérito mas a maior de todas foi a de saber lidar com a doença do Manel. A Maria não é criança e sabe de tudo e sabe dar-me força e dar um colo ao Manel. E sabe fazer tudo isto sem dramas, com a naturalidade de uma mulherzinha que opta sempre por viver os seus dias sorrindo e fazendo os outros sorrir com ela.

Tenho muita sorte por ter a Maria e saber que o Manel terá sempre o colo dela como se fosse o de uma irmã mais velha. Também o Francisco adora a Maria, sendo aliás os dois muito parecidos quanto a doses de energia, humor e vivacidade.

Parabéns Maria! Tenho muito orgulho de ser tua Tia!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D