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A caminho de Lisboa como nos velhos tempos e... Parar no trânsito!
Quem vive por estes lados está habituado ao trânsito e, em dias de Sol em que não estamos atrasados, este abrandar é contraditoriamente bom.
Gosto de sentir o cheiro da maré vazia na "minha" marginal. Se for obrigada a enfrentar uma fila, então que seja aqui!
Há quem fale nos loucos de Lisboa...mas eu só viveria no centro da cidade se fosse louca. Prefiro ser dos loucos que trabalham e vivem fora de Lisboa e se admiram com as vistas durante um engarrafamento. Eu sou daqui e gosto muito!

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Quando saí de casa esta manhã dei um abraço de despedida ainda mais especial ao Manel, lembrando-me de coração apertado que estava marcada para hoje a nova cirurgia.

O maior transtorno do adiamento de apenas 2 semanas foi mesmo o prolongar da clausura do Francisco em quarentena (apesar do rapaz nem se queixar e do Manel delirar com a companhia do mano a toda a hora, de espalhafato semelhante ao do João Baião no velhinho Big Show Sic).

 

Assim, fui pelo caminho a pensar que de nada vale lamentar contratempos e que assim até tenho mais tempo para mobilizar orações e encher mais um pouco o coração de rua e de sol.

Nestas circunstâncias, o conseguir chegar ao trabalho significa um dia a mais de liberdade, fora do hospital, pelo que se torna fácil à chegada ao destino estacionar o carro e estes pensamentos e pôr mãos à obra após o sagrado café.

 

Pouco tempo depois, já embrenhada nos assuntos a tratar, recebo um email da minha sobrinha Maria. Pela hora em causa, assumo que deu uma escapadela à biblioteca da escola só para me presentear com uma bela mensagem pelo que, mesmo antes de abrir o corpo do email, já eu babava com o gesto da minha pré teenager mais querida.

 

Eis senão quando leio o seguinte (passando a citar, já após revisão ortográfica para não achincalhar a moça):

Olá, titi fiquei a saber que tu precisas de uma secretária por isso vou te mandar o meu currículo....

 

[Pára tudo: Eu não ando em processo de recrutamento de assistente administrativa, mas a Maria ouviu-me há dias suspirar de saudades da minha secretária do antigo escritório, enquanto eu protestava o quanto odeio fazer arquivo no estaminé. Podemos então prosseguir...]

 

Eu chamo-me Maria dos Santos André Cabrita Fernandes, tenho 10 anos nasci a 9 de Abril de 2003. O que lhe posso dizer sobre mim é que dou alguns erros ortográficos, sou uma mulher muito trabalhadora e sou uma pessoa que gosta de aprender de ensinar e que aprende depressa.

Isto é o que lhe tenho a dizer, espero que me ligue o meu número e o que lhe já dei fico à espera.

Muitos comprimentos Maria Fernandes

 

Ora aqui está, o reconhecimento do meu sucesso profissional através da recepção da primeira candidatura espontânea para um cargo no meu estaminé (ignorando para o efeito o facto de a remetente ter apenas 10 anos).

 

Passando à análise da carta de apresentação, a candidata demonstra:

  • Ter confiança (com apenas 10 anos, já se assume como “uma mulher muito trabalhadora” e que gosta de “ensinar”);
  • Ter sentido autocrítico quanto às suas fragilidades (“dou alguns erros ortográficos”);
  • Estar altamente motivada para aprender, reforçando que “aprende depressa”.

 

Nestes termos, apenas não se admite de imediato a candidata em referência (que dá erros mas gosta de aprender e ensinar), devido ao impedimento legal dessa admissão poder ser infelizmente configurada como trabalho infantil.

 

De qualquer forma, descansa Maria que a tia já imprimiu e corrigiu o teu email, para que te possas então dar ao trabalho de escrever 20 vezes as palavras assinaladas com erros. E obrigada por me ensinares a ser uma tia tão bem disposta!

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Estaminé

03.10.13

Ainda me estou a habituar ao ambiente menos urbano do meu estaminé do Estoril.

Aqui já não oiço os grupos das manifestações que tantas e tantas vezes desciam a Avenida da Liberdade, não me envolvo no trânsito do centro da cidade, nem sequer dou um olhinho na montra da Prada ou da Louis Vuitton (só ver, claro, que sou tão tacanha que nem nunca cheguei a entrar para cheirar as peles das malas).

Agora trabalho no primeiro andar de uma moradia antiga, já velhota mas que gosto de dizer que tem um ar vintage. Fica a 5 minutos de carro das minhas crias, com um percurso com direito a vista mar! Tenho aqui na Rua um único restaurante que se chama “Leitaria do Estoril”, daqueles que têm um ar cosy de tão tascoso. O Senhor velhote da loja das fotografias já me conhece e diz-me sempre bom dia Menina.

Hoje até ouvi a flauta de um amolador (sim daqueles que vagueiam por aí de bicicleta) e lembrei-me da minha Avó Augusta que se apressava sempre a recolher meia dúzia de facas e a pedir conserto do guarda-chuva. Ai que saudades boas!

Sempre vivi nestas bandas e agora sinto que ainda faz mais sentido viver aqui e saborear isto tudo, sem ser apenas ao fim de semana.

Obrigada Manel por me teres obrigado a adaptar a minha vida para me centrar mais em ti e no Francisco, acabando por disfrutar de um abrandamento do ritmo que agora já sou eu e tu que marcamos.

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