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Há dias cheguei a escola do Manel e a educadora avisou-me logo que o Manel tinha caído e raspado com a cabeça, pelo que tinha um "carimbo" na testa da sua tentativa de subir ao escorrega.

Assim que me assegurei que teria sido só um raspão, sorri aliviada e pensei... aquele maroto já tenta trepar ao escorrega. Isto é fantástico!

 

Por vezes uma má notícia bem analisada pode traduzir-se, no final de contas, em saldo positivo.

 

Cada vez mais reparo que o Manel tem um sorriso maroto, em especial quando eu digo NÃO e a sua reacção é tentar desobedecer acelerando o disparate. Até quando digo o típico AI AI das Mães o Manel parece gozar-me repetindo um AI AI no mesmo tom. Em casa dos Avós fugiu em menos de nada e caminhou até à casa de banho para remexer na água da sanita! Conseguir fazer disparates em menos de 10 segundos é obra, Senhores! Eu sei que me deveria arreliar, mas o meu coração bate palmas de orgulho a esta infância que não se quer passiva nem tímida.

 

O Manel cada vez mais quer caminhar para onde quer e cresce a cada passo.

 

Não vejo a hora de o ouvir dizer-me um dia se prefere gelado de morango ou de chocolate. Gostava muito de o ouvir a explicar os seus gostos.

 

Até lá vamos dando a mão e amparando as quedas, os raspões e dói dóis que fazem parte deste crescimento.

 

 

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Confesso que minutos antes de começar a festa de final de ano da escola do Manel tive medo...

No momento em que entrei na escola disparou dentro de mim uma ansiedade que tentei disfarçar. Apenas naquele instante tentei antecipar como seria a festa e se o Manel seria capaz de fazer parte da mesma sem se desenquadrar.

Comecei a sentir os outros pais desejosos, de máquinas fotográficas em riste para guardarem momentos memoráveis, e eu naquele misto de emoção e medo.

A festa começou com música e se há coisa neste mundo que desperta o Manel é a música. Viveram-se momentos descontraídos de crianças nos colos dos pais, vibrando com ritmos e sons de felicidade e da nossa alegria aliviada. O Manel não fez birras e sorria muito batendo as palmas que sacudiram os meus medos.

O Manel é diferente, é verdade. Mas esta diferença não nos impede de festejar e eu aprendi nesta primeira festa da escola que o Manel não tem o meu medo. O Manel é feliz e eu bebo dessa felicidade, tão orgulhosa de não o ver distante mas sim no mesmo ritmo de festa!

Ser Mãe do Manel é aprender muito e crescer com o Manel, sendo feliz!

 

Não resisto a partilhar mais umas fotos do dia a dia feliz do Manel explorador!

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Ontem escrevi um post sobre a minha relação com a comida. A comida de facto conforta-me.

Mas também há palavras que confortam (com a vantagem de não nos engordarem tanto).

 

O Manel tem andando doente. Depois da estomatite aftosa o rapaz mal se recompôs e apanhou entretanto uma virose. Mais uns dias em casa sem ir a escola... o gazeteiro!

 

Quando de manhã deixo o Francisco na escola, as educadoras do Manel têm perguntado por ele. Perguntam-me se o rapaz está melhor, interessam-se e comentam que têm saudades e se é já amanhã que o Manel regressa a escola.

 

Saio da escola com o coração cheio e a certeza que o Manel está em boas mãos. Pode dar mais trabalho que qualquer outro da sua sala, mas é querido por todos. Querem-no de volta! Parece tudo simples, mas para uma Mãe de menino especial, esta simples pergunta foi valiosa e alegrou-me o dia.

 

Muitas vezes perguntam-me se está tudo bem e respondo com o mesmo automatismo da questão que me foi dirigida.

 

Mas, por vezes, essa pergunta tão simples pode fazer diferença no nosso dia, quando sentimos que alguem do outro lado se preocupa e quer mesmo saber.

 

Assim como quando alguém nos envia uma mensagem e deseja boa sorte para algo que queremos muito e nos faz sonhar. Essa mensagem é como se alguém nos desse a mão com força em segredo.

 

Quando alguém morre nunca sei o que dizer. Parece que não encontramos palavras verdadeiras e sentidas para aliviar o outro. Prefiro muitas vezes dizer apenas que estou ali para o que for preciso e sempre que for preciso. Se só disser "Os meus sentimentos" parece não fazer sentido... que sentimentos?

 

Acredito pois que as palavras simples são as que mais confortam e encorajam.

 

 

 

 

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Todos os dias tenho ligado para a escola à hora de almoço, ansiosa para saber se o rapaz está feliz.

A adaptação ao ritmo da escola não é fácil e acredito que para o Manel tudo pareça uma montanha russa de emoções.

Curiosamente nos últimos dias o Manel agarra-se a mim antes de o deixar. Às vezes chora. Este chorar pode ser contraditoriamente bom, é sinal que tem noção de que me vou embora e está a entender a dinâmica. O importante é que tem conseguido (com a ajuda de muitos colinhos bons) recompor-se e assim vai crescendo.

O Manel na escola faz pinturas, tem aulas de música e de ginástica com os outros meninos, brinca lá fora no parque. Passaram tão poucos dias e eu sinto uma diferença grande na conquista da sua independência. No final do dia está cansado, mas depois de uns abraços das saudades acumuladas mostra-me um sorriso enorme de quem parece sentir-se importante.

A escola do Manel e do Francisco é fantástica. A sala do Manel é enorme e foi adaptada para bebés que estão a iniciar a marcha. O berçário já limitava a vontade destes exploradores que assim têm maior liberdade, sem a prisão das responsabilidades da sala dos meninos mais crescidos. É um enorme descanso sentir que não conheço nem imagino uma sala mais perfeita para o Manel.

O Francisco também está feliz ali e esta semana até me mostrou orgulhoso a horta da escola onde plantou couves.

Existem tantas escolas diferentes, com modelos e infra-estruturas diferentes que muitas vezes ficamos indecisos com tanta oferta perante a nossa procura da escola mais perfeita para confiar os nossos filhos. Aqui deve entrar o nosso instinto de Pais e a nossa certeza vai muito para além das opiniões dos outros e dos certos na nossa própria check list (todos temos prioridades diferentes). A simpatia pelas pessoas, pelo espaço e a interacção e energias têm uma subjectividade indescritível, sendo o que afinal nos enche em grande parte as medidas das expectativas.

 

 

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Virus

29.04.14

Na semana passada recebi um email da escola alertando para casos de gastroentrite. Naturalmente que o Francisco vomitou toda a noite, confirmando o aviso. Prefiro mil vezes limpar ranhos do que vomitado (e as crianças têm cá um jeitinho e cuidado para não vomitarem camas inteiras, sofás e tapetes como um elefante dentro de uma loja Vista Alegre).

Entretanto ontem o Francisco cantarolava pela casa... não mi tóca.... não quero sábê.... não mi tóca!

Questionado sobre onde teria aprendido a música do Anselmo Ralph, responde todo contente que tinha espiado umas coleguinhas da escola a cantar a canção.

Estranho não ter recebido também um email sobre este vírus do Anselmo Ralph... é que a música primeiro estranha-se mas depois entranha-se e hoje passo o dia inteiro com a letra na cabeça e vontade de abanar a anca.

Ainda bem que só apanhei o vírus do Anselmo e não o da gastro (assim se mantenha).

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O Manel começou oficialmente a escola e o rapaz está a adaptar-se muito bem (apetece-me quase gritar!).

Ontem só ficou uma hora e pouco na escola, mas ficou sozinho, sem a Mãe galinha ao lado. Saí da escola a pensar que estavam ali os dois, finalmente juntos.

Hoje já ficou a almoçar e até dormiu a sesta (uma hora e meia, como se já andasse na escola há meses, imagine-se). Ando completamente colada ao telefone para o ir buscar em caso de urgência... mas está tudo a correr bem. Pode ser que o Manel finalmente entenda que existe todo um mundo de gente de batas diferentes das hospitalares a querer dar-lhe atenção.

Contive-me e ainda só liguei duas vezes, portanto eu também me estou a portar lindamente. De manhã soube que passado um tempo depois de ter brincado chorou um bocadinho, mas o Francisco foi chamado à sala do Manel e confortou-o com uns beijinhos.

Esta experiência também é importante para o Francisco. De manhã já não ficamos a dizer adeus ao Manel à porta de casa. Isto parece tão surreal e fantástico que na escola o Francisco perguntava aos amigos se queriam tocar no Manel como se fosse um tesouro. Por outro lado, imagino a cara de menino responsável que terá feito quando foi chamado para ir dar mimos ao mano na sala ao lado... ser mano mais velho devia dar direito a medalha de honra na escola!

Este amor e companheirismo de irmãos é tão importante. O mimo do Francisco não conforta apenas o Manel, sossega-me também o coração de Mãe em maior certeza que as crias ficam bem. Quando era pequena também me sentia segura com as minhas irmãs. Podia não perceber onde ia, mas se ia com elas então estava tudo certo e podia seguir tranquila e de mãos dadas.

O Francisco diz muitas vezes que quando for crescido quer ser tratador de golfinhos e Pai. Engraçado incluir a referência ao papel de Pai quando lhe perguntamos o que quer ser. Por agora pode estagiar as tarefas de mimo de Pai com o Manel, dando-lhe o seu colo pequeno, mas o maior que o Manel pode ter na escola.

 

As fotos são repetentes aqui no blog, mas não resisto a revisitá-las neste post.

 

 

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Um bolo simples de iogurte salpicado com açúcar em pó para uma festa de meninos de bibe...
Reencontrar os novos amigos do Manel e vestir-lhe pela primeira vez o bibe foi como tornar oficial a entrada na escola. Um início em festa para quem está de parabéns por conseguir chegar à escola e ter agora todo um percurso pela frente... Para rabiscar a lápis de cores novas experiências que se querem felizes. Muito delicioso assistir aos meninos em volta da mesa e do Manel, contentes a provar o bolo segurado em dedinhos pequeninos e gordinhos. Uma festa!

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Aperto dois cintos de seguida e quando me sento no lugar do condutor olho para trás orgulhosa de sairmos juntos de casa nesta manhã de sol. O Manel sorri pelo caminho e o Francisco ansioso diz que se houver algum problema a educadora do Manel pode sempre chamá-lo. Jura-me que "sabe a língua dos bebés" e por isso pode sempre ajudar a explicar o que quer o mano. Assim que entramos todos nos sorriem e eu e o Francisco damos orgulhosos os bons dias. O Francisco mostrou os seus colegas e desenhos. De seguida fomos estrear a sala nova do Manel e finalmente perceber qual seria a sua reacção. As fotografias captaram bem o carinho, os abraços, os cuidados do Francisco e a vontade de descoberta do Manel. Depois das nossas férias será a entrada "oficial" do Manel na escola. Sou uma Mãe orgulhosa! Muito feliz e orgulhosa por esta conquista!

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Nesta tarde de Segunda-Feira chuvosa, sou surpreendida com um email da escola do Francisco que logo ganha máxima prioridade entre todos os demais assuntos de trabalho entre mãos.

 

A mensagem nada dizia sobre a próxima mensalidade a pagar, visitas de estudo ou doenças, apenas continha a seguinte surpresa:

 

Boa Tarde mãe,

 

o Francisco fez umas estrelas em elásticos para a mãe e pediu-me para tirar umas fotos e enviar-lhe. 

 

 

De repente sinto um orgulho a inchar-me o peito (efeito rola), por várias razões:
1.º - O meu filho lembrou-se de mim na escola e quis fazer um presente para mim! (sim para a Mãezinha do seu coração e não para namoradinhas, o que é de louvar e de aproveitar enquanto dura)
2.º - O Francisco consegue convencer alguém da escola a tirar-lhe as fotos e a enviar-me a surpresa por email (vai longe em técnicas de persuasão, sai à Mãezinha pois claro!)
3.º - Confirmo uma vez mais que o Francisco está numa escola fantástica e ali se sente feliz (apesar de adorar ficar de "molho" em casa durante as gazetas de doenças).
4.º - Apesar de não ser expectável que o Francisco venha a ser muito alto (sai à Mãezinha, conforme referido supra), será um sedutor nato (Bolas!!)
E assim do nada uma tarde vulgar torna-se simplesmente especial. Ando piegas e de facto não é preciso muito para me sentir super feliz!

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Em tempos falei aqui das minhas expectativas para o Manel e dos planos de trabalharmos muito para conseguirmos alcançar metas muito desejadas.

 

O Manel tem sido extraordinário e não digo isto apenas como Mãe babada (que sou e muito). Os seus esforços são notórios e trabalha muito e sem grandes birras nas inúmeras sessões de terapia de desenvolvimento e repetidos exercícios ao longo do dia.

 

A realidade em que vivemos e o nosso ritmo de progressos passou a ser para mim o padrão normal. Entretanto, na escola do Francisco, deparei-me em tempos com um bebé de pouco mais de um ano que andava de um lado para o outro com um equilíbrio incrível. Por instinto quase gritei... cuidado este bebé está a andar, cuidado, agarrem-no! Depois, fiquei muda a observar tamanha desenvoltura com um ar desconfiado. Afinal apercebi-me da minha estupidez. Pois está claro que os bebés de um ano/ano e meio andam... esse é o padrão normal dos outros, não o devo estranhar apesar de não ser o nosso padrão de normalidade.

 

O Manelocas já se põe de pé. Anda de lado amparado por tudo o que o suporte. Vagueamos a casa de mão dada e, de vez em quando, conseguimos o equilíbrio certo e o Manel dá pequeninos passos sozinho. São pequeninos e sempre amparados pelas nossas mãos protectoras em distância curta para retaguarda. São passos muito importantes para o equilíbrio de todos e enche-nos a alma sentir a vontade do Manel em querer mais, explorar mais.

 

Há poucas semanas começou também a acenar um adeus que me comove mais do que qualquer outro aceno.

 

Desde a cirurgia que sinto o Manel mais presente e com um brilho nos olhos que me faz acreditar em mais conquistas. São mais os momentos acordados em que atenta ao redor e se ri das nossas graças, interagindo nos mimos e nas cumplicidades dos risos e brincadeiras.

 

São sinais, bons sinais.

 

Aproxima-se um passo de gigante... a entrada na escola. A escola do Francisco e da Inês (minha sobrinha doce que por vezes me chama Tia Moniquinha) onde crescem juntos meninos com todos os ritmos com um denominador comum: sorrisos felizes. O Francisco e a Inês desejam muito a entrada do Manel na escola, sentindo-se crescidos e protectores por receberem o Manel (para meu descanso de o saber assim rodeado de caras conhecidas que o familiarizem mais depressa e o façam sentir mais seguro).

 

Na semana passada tive uma reunião na escola que concluí num grande alívio por perceber que as educadoras são experientes em meninos especiais e reservam um lugar de mimos, projectos e brincadeiras para o Manel. O meu coração entusiasmou-se ainda mais por conhecer alguns bebés que serão os colegas do Manel (também eles exploradores) e imaginei-o por ali interagindo, crescendo, brincando,vivendo normalmente a sua vida especial.

 

No primeiro dia de escola do Francisco, soltei uma lágrima quando cheguei ao carro, inevitável por ter saudades e pelo corte do cortão umbilical que significava o meu regresso ao trabalho.

 

No primeiro dia de escola do Manel talvez solte uma lágrima, de orgulho!

 

Está quase!

 

 

 

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