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Tenho saudades de ser pequena e sonhar ser crescida

Dos dias em que o tempo parecia infinito

E eu tinha a pressa irrequieta das crianças

Em tempos em que esperávamos impacientes a abertura do canal de televisão.

 

Tínhamos aquela idade especial, sem medo de provarmos o azedo das flores amarelas

Ou das flores das quais puxávamos o fio adivinhando o doce das suas gotas.

 

Conhecíamos bem a rua, os outros miúdos

E juntos riscávamos a giz o alcatrão,

O nosso território de macacas e sirumbas

alimentado a papas de lama e cuidado por pais e mães de meio metro

Onde podíamos gritar e ouvir os nossos pais gritando também para regressarmos a casa.

 

Tempos em que teimávamos que queríamos a piscina e não a praia,

Mas ríamos enrolados nas ondas cheios de areia na cabeça sem nada importar.

 

Podíamos ser caçadores de bichos, lagartas, sapos, bichos da seda, caranguejos

Mas também nos era possível voarmos nos baloiços com um balanço em despique

E enfrentar receios em jogos de quarto escuro

Gritando tantas vezes nos conflitos das batotas,

acusando ou defendendo como se fossemos pequenos juízes da nossa verdade.

 

O nosso quarto era um palco e trampolim de imaginação,

em segundos transformado no nosso faz de conta

ainda mais real se inventado e contracenado com irmãs ou amigas.

 

Tenho saudades de ser criança

Mas tenho muita sorte por ter hoje as minhas crianças com quem brincar.

 

 

 

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