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Um fim-de-semana a dois, sem miúdos…. Planeado sempre com sentimento de culpa. Não valem a pena as teorias e as justificações que um casal deve apostar na relação e viver momentos a sós… só isso por si não serve de remédio para aliviar a culpa.

Sentimo-nos cansados, exaustos e a ideia de uns poucos dias aliviados de cuidados às crias são necessários, fundamentais para o sono, mas a culpa vai connosco, não nos livramos dela apesar das boas desculpas.

A despedida é feita num toca e foge para miúdos e graúdos não chorarem e não desistirmos logo ali dos planos de descanso.

No caminho tentamos rever todas as razões que nos conduzem para longe, para sedimentarmos que racionalizarmos o clima de romance à prova da consciência.

Depois são as conversas que inevitavelmente se debruçam nos miúdos. Vamos para longe para afinal passarmos grande parte do tempo a recordar as crias e a comentar as suas últimas gracinhas ou como adorariam estar ali para verem a medusa gigante que avistámos à beira mar ou o carrocel plantado no meio da rua e do qual desviamos o olhar para não encararmos as crianças dos outros. Confesso que me custa bastante olhar para crianças nestes dias em que estou longe das minhas. A saudade e sentimento de culpa aliam-se para esse avistamento ser penoso (o que é incrível porque olhar para uma criança é sempre normalmente divertido). Nestas circunstâncias, só tento olhar para as crianças se pressinto que vão apresentar uma birra fenomenal digna de se atirarem para o chão. Assim já vale a pena olhar para dar valor à distância.

Mas vamos também ser verdadeiros, e confessar que conseguimos nalguns minutos pensar no alívio de não termos horários para nos esparramarmos ao Sol e seguirmos os horários da fome e não do relógio para nos sentarmos à mesa. Estes minutos são estupidamente maravilhosos e é nesse momento que conseguimos dar um bofetão à culpa. Conseguir jantar à luz das velas sem ter medo que alguém se queime ou pegue fogo à mesa é estranhamente calmo. Uma sessão de massagens no SPA pode ser tão relaxante que um de nós até ressonou (não vou dizer se foi o Maridão senão era chato!).

No entanto, as horas de descanso passam com inúmeras trocas mensagens para atestar se crias comeram, se estão felizes ou com birras e se finalmente adormeceram. Mesmo que se receba a confirmação que está tudo bem, nestes dias o telemóvel é vigiado e consultado não apenas para confirmar mensagens e telefonemas, mas também para rever vezes sem conta as fotografias e vídeos das crias que me ocupam espaço do cartão e da minha memória.

Nunca tinha passado 3 noites sem as crias, foi um record batido em desespero de tantas noites sem dormir nos últimos 2 anos. Mas confesso que na última noite já soltava lágrimas de soluços e saudades só por falar das crias num jantar de amigos. Uma vergonha! Sou assumidamente uma Mãe galinha. Não me ponho aqui a apontar o dedo aos que se libertam e voam para outros Continentes e não choram, por isso aqui me confesso e não me apontem o dedo… mas se quiserem chamar-me Mãe galinha estejam à vontade. Piu! Cada um sabe de si e eu sou uma Mãe galinha com fraca apetência para golpes de capoeira na consciência. O regresso é uma maravilha! Se antes de ter filhos tudo sabia tão bem e no final até apetecia fazer birra no check out (sem pesos de consciência mas sem grande valor quanto ao descanso), com filhos no horizonte do regresso tudo é feito a despachar para finalmente chegarmos a casa e apertá-los de mimos e dizer-lhes que os adoramos e estamos prontos e frescos para mais birras e noites mal dormidas!

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2 comentários

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De Raquel a 21.04.2014 às 19:05

Valorizar o que temos é sem dúvida uma virtude.... todo esse sentimento de partilha é também sem sombra de dúvida uma benção.... E se sou também eu uma mãe galinha e se por determinadas circunstâncias da vida muitas são mais de 3 noites q passo afastada deles.
Mas o sossego que nos trás uma gargalhada num telefona, é suficiente para tranquiliza um coração de mãe galinha....
Bjinho
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De Pipas a 29.04.2014 às 00:38

"Piu", daqui também!

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