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Bebé Milagre

06.02.14
Hoje foi dia de regressar ao Hospital para consulta de neurocirurgia do Manel.


Ali reencontro uma sala de espera cheia de pais mais impacientes que os filhos (a maioria entretida com tablets para meu reparo de era moderna).

Pela primeira vez tirei o Manel do carrinho (não para o embalar no colinho) mas para circularmos juntos de mão dada pelo corredor do Hospital. Senti-me verdadeiramente orgulhosa... das outras vezes o Manel esperava sem se importar muito em explorar muito em redor. Agora não.


Então noto, sem conseguir evitar, os Pais que segredam algo quando o Manel lhes passa em jeito aparentemente inseguro (para quem não sabe das novas conquistas, tudo se resume a atraso assinalado em risca). Mas, calma, não me beliscam os segredos porque eu estou mesmo orgulhosa dos passos dados e dos sorrisos das enfermeiras que o elogiam pelos progressos.


Encontro um miudo de capacete de rugby na cabeça. Suponho que tenha sido operado como o Manel e troco impressões com a Mãe para saber onde adquirir um igual (modelo giro, que fez parecer o capacete daquele guarda-redes famoso). Conversamos as duas alegres ao partilhar histórias de melhorias e de dicas de capacetes para filhos radicais especiais.


Entramos na consulta e a Médica recebe-nos com um abraço e instantaneamente pega no Manel ao colo, feliz por vê-lo. Confio cegamente nesta médica que me cativa pela segurança e por este jeito sincero de cuidar do meu filho. Não é Médica de se limitar a tirar notas atrás da secretária ou a fazer medicina de bisturi na mão, analisa o comportamento do Manel com carinho e afeição para o tratar melhor.


Entre risos confirmamos as imagens da ressonância e uma outra médica ali presente não consegue disfarçar o choque de embate na imagem. São mesmo muitos tumores e vê-se bem a zona de extracção, comenta espantada.


Sim, sim respondemos, o Manel tem muitos tumores. E continuámos entretidas (sem dar importância ao comentário que não é novidade nenhuma) a contar, não os inúmeros tumores, mas as novidades do desenvolvimento do Manel, até que Dra. C. conclui:

O Manel é um bebé milagre. Quem olha para a ressonância e não conhece o Manel, nunca diria que ele estaria assim tão bem hoje.


Rezei muito pedindo o milagre da cura do Manel por intercessão de João Paulo II. Muito mesmo, seguindo uma oração oficial do Vaticano pedindo graças para santificação do Papa João Paulo II (não podia arriscar pedir um milagre por portas travessas ou preenchendo formulários errados para o efeito).


OK, não houve cura desta doença que conviverá sempre connosco. Mas acredito neste milagre de ver o Manel ser capaz, mesmo para além das suas capacidades acorrentadas em tumores. E saio feliz, mesmo escutando novamente que o Manel tem muitos tumores.


Pois sim, é verdade. Mas também é verdade que podiam esses tumores estar activos em fogo cruzado de energias epiléticas e para já não estão... e não sabendo eu nem ninguém se este cessar fogo está por horas, dias ou anos, quero aproveitar este pequeno grande milagre. Quero deliciar-me com as conquistas que agora nos concentram esforços e contradizem os prognósticos mais óbvios e pessimistas.


Agora só quero ser feliz, obrigada! Estou feliz e daqui a nada já comemoro a extracção do tumor porta-aviões com um chocolate.


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