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Ontem escrevi um post sobre a minha relação com a comida. A comida de facto conforta-me.

Mas também há palavras que confortam (com a vantagem de não nos engordarem tanto).

 

O Manel tem andando doente. Depois da estomatite aftosa o rapaz mal se recompôs e apanhou entretanto uma virose. Mais uns dias em casa sem ir a escola... o gazeteiro!

 

Quando de manhã deixo o Francisco na escola, as educadoras do Manel têm perguntado por ele. Perguntam-me se o rapaz está melhor, interessam-se e comentam que têm saudades e se é já amanhã que o Manel regressa a escola.

 

Saio da escola com o coração cheio e a certeza que o Manel está em boas mãos. Pode dar mais trabalho que qualquer outro da sua sala, mas é querido por todos. Querem-no de volta! Parece tudo simples, mas para uma Mãe de menino especial, esta simples pergunta foi valiosa e alegrou-me o dia.

 

Muitas vezes perguntam-me se está tudo bem e respondo com o mesmo automatismo da questão que me foi dirigida.

 

Mas, por vezes, essa pergunta tão simples pode fazer diferença no nosso dia, quando sentimos que alguem do outro lado se preocupa e quer mesmo saber.

 

Assim como quando alguém nos envia uma mensagem e deseja boa sorte para algo que queremos muito e nos faz sonhar. Essa mensagem é como se alguém nos desse a mão com força em segredo.

 

Quando alguém morre nunca sei o que dizer. Parece que não encontramos palavras verdadeiras e sentidas para aliviar o outro. Prefiro muitas vezes dizer apenas que estou ali para o que for preciso e sempre que for preciso. Se só disser "Os meus sentimentos" parece não fazer sentido... que sentimentos?

 

Acredito pois que as palavras simples são as que mais confortam e encorajam.

 

 

 

 

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Tempo para rezar

28.05.14

Temos sempre muito para fazer. Nem sempre nos lembramos de Deus e muito menos nos organizamos para rezar, dar graças... Também não quer dizer que o façamos por mal. Há amigos do peito com quem também não falamos todos os dias.

Quase sempre a oração é feita em momentos de angústia, em que levantamos os braços aos céus em desespero. Nesses momentos não queremos ser esquecidos por Deus e a oração sai-nos do coração num grito quando antes nem murmurávamos.

Quando era pequena gostava mesmo muito de rezar. Depois passei alguns anos em silêncio. Não foi um silêncio revoltado, totalmente descrente ou propositado. Achava que guiava a minha vida e não procurei mais nada que lhe desse algum sentido maior.

O Manel nasceu e muita gente me disse que o Papa Francisco afirmava que Deus dava as maiores batalhas aos seus melhores soldados.

Acontece que eu não me alistei... Não foi uma escolha minha ser guerreira e por isso não mereço esses elogios.

Seja porque motivo for, a minha vida tornou-se uma batalha. Os dias são de Sol ou de chuva. É-me mais fácil distinguir o que é um grande problema e um pequeno problema.

Passei a rezar mais. Em alturas em que o medo se apodera, já dei comigo a conduzir sozinha até Fátima. Para ganhar forças que não tenho, para libertar o medo quando o medo me duplica. A oração tem-me ajudado a encontrar alguma calma, algum sentido. Por isso não tenho dúvidas em confirmar a sábia frase do nosso querido Papa Francisco: às vezes na nossa vida os óculos para ver Jesus são as lágrimas.

Em Fátima escutei num terço alguém dizer que podíamos ter algum tempo para rezar se o fizéssemos logo pela manhã, no carro, a caminho da escola. Nessa altura poderíamos rezar em família.

Passei a rezar no carro e o Francisco acompanha-me. Muitas vezes pede para o Manel ficar bom da "risca" da cabeça e outros dias pede para não fazer birras na escola e para não se esquecer de trazer folhas para os bichos da seda.... O Francisco passou a querer rezar e muitas vezes é ele que me lembra. O curioso é que em Cuba, logo na primeira manhã em Havana, assim que entrámos no carro do nosso guia o Francisco perguntou se não rezávamos ao Jesus. Tive muito orgulho nele!

Deixo-vos aqui um desafio, rezarem pela manhã no carro com os vossos filhos... um momento em que pensamos juntos no bom dia que queremos ter e agradecemos estarmos juntos para viver mais um dia!

Depois contem-me como foi!

 

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Todos os dias tenho ligado para a escola à hora de almoço, ansiosa para saber se o rapaz está feliz.

A adaptação ao ritmo da escola não é fácil e acredito que para o Manel tudo pareça uma montanha russa de emoções.

Curiosamente nos últimos dias o Manel agarra-se a mim antes de o deixar. Às vezes chora. Este chorar pode ser contraditoriamente bom, é sinal que tem noção de que me vou embora e está a entender a dinâmica. O importante é que tem conseguido (com a ajuda de muitos colinhos bons) recompor-se e assim vai crescendo.

O Manel na escola faz pinturas, tem aulas de música e de ginástica com os outros meninos, brinca lá fora no parque. Passaram tão poucos dias e eu sinto uma diferença grande na conquista da sua independência. No final do dia está cansado, mas depois de uns abraços das saudades acumuladas mostra-me um sorriso enorme de quem parece sentir-se importante.

A escola do Manel e do Francisco é fantástica. A sala do Manel é enorme e foi adaptada para bebés que estão a iniciar a marcha. O berçário já limitava a vontade destes exploradores que assim têm maior liberdade, sem a prisão das responsabilidades da sala dos meninos mais crescidos. É um enorme descanso sentir que não conheço nem imagino uma sala mais perfeita para o Manel.

O Francisco também está feliz ali e esta semana até me mostrou orgulhoso a horta da escola onde plantou couves.

Existem tantas escolas diferentes, com modelos e infra-estruturas diferentes que muitas vezes ficamos indecisos com tanta oferta perante a nossa procura da escola mais perfeita para confiar os nossos filhos. Aqui deve entrar o nosso instinto de Pais e a nossa certeza vai muito para além das opiniões dos outros e dos certos na nossa própria check list (todos temos prioridades diferentes). A simpatia pelas pessoas, pelo espaço e a interacção e energias têm uma subjectividade indescritível, sendo o que afinal nos enche em grande parte as medidas das expectativas.

 

 

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Ao primeiro embate na notícia da doença, inevitavelmente perguntamos em choque, “O quê?”.

Não se entende e/ou nada se conhece sobre a doença e por isso somos assaltados com uma pergunta incrédula de quem nunca se imaginou neste cenário.

Pouco depois vamos tentando assimilar que este assalto à saúde é mesmo real e fará parte, para sempre, da nossa história. Aqui começamos a deixar de respirar e a sentir o chão mais seguro a fugir de nós, para sempre é uma eternidade e não vai passar. A cada acordar temos a certeza que o pesadelo não passou e é mesmo para sempre. Num turbilhão tentamos antecipar os capítulos da vida que afinal não vão acontecer e os episódios mais horrendos que podem suceder. O medo é o único que toma conta de nós. A gestão de expectativas e emoções dispara sem darmos por isso, é automática de tão inevitável. Mas esta antecipação do reescrever tudo o que imaginámos para o nosso filho faz-se como se arrancássemos pregos das  metas desejadas, para logo de seguida martelarmos novas sem saber onde e como. Desorientamo-nos, não sabemos mapear um coração desfeito e sentimos que nós pais afinal não controlamos nada.

Durante este Norte perdido, a culpa também se apodera de nós para além do medo. Será que fiz algo de errado? Porquê o meu filho? Se a doença é tão rara porque nos calhou esta lotaria envenenada? Se a estatística é tão remota, porque nos aconteceu a nós e não a outros? Os pratos da justiça desalinham-se e tentamos encontrar uma razão para se assimilar o que não conseguimos digerir. Quando a razão não se explica, a nossa natureza humana faz-nos apontar o dedo da culpa. Talvez a culpa seja minha. Talvez esteja a pagar por algo de errado que fiz.

Nunca encontramos resposta a essa pergunta do “porquê nós?”.

Mais tarde já não nos martirizamos tanto com essa pergunta, tanto mais que o jogo de saber se era ou não justo, no fim do dia não afasta o mal. O que de mal acontece aos nossos filhos é sempre tremendamente injusto aos olhos dos pais.

Ultimamente, o que mais dói é a pergunta que pairará sempre no ar como uma espada em cima das nossas cabeças “como seria se não fosse assim?”. Vejo os meninos da idade do Manel a andarem, a falarem e pergunto-me o que me diria se já falasse para além do “Olá” e da “Mamã”. Como seriam as brincadeiras do Manel e do Francisco, o jogar à bola e as corridas? Estas perguntas magoam muito e são sempre automáticas quando vejo irmãos com a mesma diferença de idade do Francisco e do Manel ou meninos da idade do Manel já tão desenvolvidos. Acreditem que não sinto inveja. Esta é antes uma dor que não consigo explicar porque dói mais do que uma inveja... a inveja parece ter por base o tirar do outro para nós, uma cobiça. No entanto, eu sei que nunca poderemos ter a cura e o que eu quero não é nada que se roube aos outros. É algo que nos falta, de que sentimos muita falta, vemos nos outros mas não podemos ter. Aceitar isto demorará uma vida. Não sei se um dia vou morrer a aceitar o que nos faltou. Fico feliz pelos que têm e não lhes quero mal, só queria dar essa saúde ao meu filho, se pudesse (ai se eu pudesse).

Sei que entretanto me vou inspirando noutros pais que perante circunstâncias parecidas ou até piores, conseguem sorrir. Esses pais foram exemplos fundamentais para eu não morrer logo de choque frontal. Não nos apetece sorrir a toda hora, nem todos os dias. Muitos dias são ganhos apenas se conseguimos não chorar à frente dos outros. Mas também há dias em que sorrimos genuinamente. Todos os dias são portanto uma escolha entre o chorar e o sorrir. Antes da doença eu tinha os dias normais, em que não me preocupava se era dia de sorrir ou de chorar. Agora nunca mais terei dias normais e a vida é um constante balançar.

  

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Nos dias que antecedem o dia da Mãe sinto uma energia secreta na escola. São apenas para já visíveis os avisos de horários das diferentes salas para receberem as Mães numa actividade especial.

Mas sabemos que andam em sigilo de mãos à obra a preparar os presentes mais queridos para oferecerem às Mães.

Hoje o Francisco chegou mais tarde à escola e fui literalmente barrada à entrada da sala pois os artistas já estavam em pleno processo de laboração dos presentes.

Todos estes preparativos são especiais. Principalmente porque o Francisco adora o suspense da não revelação do segredo. Já tentei desvendar e pedir pistas mas incrivelmente o rapaz não cedeu à tentação e replicou-me que teria de esperar pelo grande dia. Não resisto a tentar saber o quê nesta batota inocente. Pareço uma criança a tentar descolar à socapa a fita cola dos presentes de Natal escondidos debaixo da cama dos pais. Até a educadora do Manel me falou da prenda que será feita pelo Manel (sublinho porque será um grande feito). Ficará atrasada pelas faltas febris desta semana, mas seja em que dia for há uma lembrança que será a primeira de muitas. Nem a do Manel consegui ainda topar o que será... apesar de conversar com educadora sempre com olho no redor da sala.

O Francisco sente-se muito importante neste papel de filho dedicado e artista e eu sinto-me no pedestal das Mães. Se o dia da Mulher passa sem grande pompa e circunstância, o dia da Mãe é uma alegria desenfreada. Não era uma pessoa de choro fácil mas dou por mim de lágrima no olho nas actividades escolares. Gente pequena facilmente me faz chorar comovida (mesmo que estejam a cantar alegres ou a representar alguma comédia). É inevitável tirar mil fotos meias tremidas com desculpa dos olhos húmidos que nem me deixam ver com nitidez. Se agora é assim imagino se um dia o Francisco casar... nesse dia vou chorar com ranho e tudo.

Depois no Domingo será certamente combinado um almoço das matriarcas da família. Com a minha Avó, Mãe e eu com as minhas crias. São muitas flores que se juntam e muitos parabéns cruzados.

Neste dia também me lembro da Mãe do Maridão. Há um vazio grande para aqueles que não têm Mãe e não se escapam aos dias dedicados a quem partiu. Se no dia do Pai posso tentar focar-lhe as atenções no facto de o Maridão já ser pai de dois, no dia da Mãe é diferente. Há um vazio insuperável. Pois que mais vale não tentar disfarçar e recordar as lágrimas que aquela Mãe soltava nos adeus comovidos quando o Rui partia para a Universidade de Coimbra ou já para o trabalho em Lisboa. As lágrimas das Mães são sempre verdadeiras e não passam com a idade dos filhos. Permanecem nesse cuidar que se quer sempre tanto. 

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Nasci e cresci convicta que João Paulo II era o meu Papa e foi estranho vê-lo envelhecer e perceber que um dia o Papa seria outro. Bento XVI assumiu o papel e parecia-me tudo estranho... A expressão do rosto não parecia tão terna e apesar das mensagens tão inteligentes não deixei que tocasse o meu coração da mesma forma. O Papa Francisco já surgiu depois de algum tempo desse luto e a sua simplicidade rendeu-me logo. Um Papa enérgico, humilde que prescinde dos sapatos vermelhos e de outros luxos. Mas continuo persistente a pedir graças por intercessão de João Paulo II. Sinceramente não rezo o suficiente para ser digna de um milagre de cura para o Manel. Mas pequenos milagres podem fazer muita diferença... E não perco a fé! Quando tenho medo (e o medo assola-me de tal forma certeira e rápida que mal respiro de angústia esmagada do receio no futuro que não controlo) penso nas palavras deste Santo: não tenhais medo! Não posso ter medo porque se o medo me vence eu morro já sem esperança e desolada. Ter o privilégio de ter crescido com um Papa Santo terá de me ajudar a não ter (tanto) medo e a acreditar nos Santos do nosso tempo.

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O Manel começou oficialmente a escola e o rapaz está a adaptar-se muito bem (apetece-me quase gritar!).

Ontem só ficou uma hora e pouco na escola, mas ficou sozinho, sem a Mãe galinha ao lado. Saí da escola a pensar que estavam ali os dois, finalmente juntos.

Hoje já ficou a almoçar e até dormiu a sesta (uma hora e meia, como se já andasse na escola há meses, imagine-se). Ando completamente colada ao telefone para o ir buscar em caso de urgência... mas está tudo a correr bem. Pode ser que o Manel finalmente entenda que existe todo um mundo de gente de batas diferentes das hospitalares a querer dar-lhe atenção.

Contive-me e ainda só liguei duas vezes, portanto eu também me estou a portar lindamente. De manhã soube que passado um tempo depois de ter brincado chorou um bocadinho, mas o Francisco foi chamado à sala do Manel e confortou-o com uns beijinhos.

Esta experiência também é importante para o Francisco. De manhã já não ficamos a dizer adeus ao Manel à porta de casa. Isto parece tão surreal e fantástico que na escola o Francisco perguntava aos amigos se queriam tocar no Manel como se fosse um tesouro. Por outro lado, imagino a cara de menino responsável que terá feito quando foi chamado para ir dar mimos ao mano na sala ao lado... ser mano mais velho devia dar direito a medalha de honra na escola!

Este amor e companheirismo de irmãos é tão importante. O mimo do Francisco não conforta apenas o Manel, sossega-me também o coração de Mãe em maior certeza que as crias ficam bem. Quando era pequena também me sentia segura com as minhas irmãs. Podia não perceber onde ia, mas se ia com elas então estava tudo certo e podia seguir tranquila e de mãos dadas.

O Francisco diz muitas vezes que quando for crescido quer ser tratador de golfinhos e Pai. Engraçado incluir a referência ao papel de Pai quando lhe perguntamos o que quer ser. Por agora pode estagiar as tarefas de mimo de Pai com o Manel, dando-lhe o seu colo pequeno, mas o maior que o Manel pode ter na escola.

 

As fotos são repetentes aqui no blog, mas não resisto a revisitá-las neste post.

 

 

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Um fim-de-semana a dois, sem miúdos…. Planeado sempre com sentimento de culpa. Não valem a pena as teorias e as justificações que um casal deve apostar na relação e viver momentos a sós… só isso por si não serve de remédio para aliviar a culpa.

Sentimo-nos cansados, exaustos e a ideia de uns poucos dias aliviados de cuidados às crias são necessários, fundamentais para o sono, mas a culpa vai connosco, não nos livramos dela apesar das boas desculpas.

A despedida é feita num toca e foge para miúdos e graúdos não chorarem e não desistirmos logo ali dos planos de descanso.

No caminho tentamos rever todas as razões que nos conduzem para longe, para sedimentarmos que racionalizarmos o clima de romance à prova da consciência.

Depois são as conversas que inevitavelmente se debruçam nos miúdos. Vamos para longe para afinal passarmos grande parte do tempo a recordar as crias e a comentar as suas últimas gracinhas ou como adorariam estar ali para verem a medusa gigante que avistámos à beira mar ou o carrocel plantado no meio da rua e do qual desviamos o olhar para não encararmos as crianças dos outros. Confesso que me custa bastante olhar para crianças nestes dias em que estou longe das minhas. A saudade e sentimento de culpa aliam-se para esse avistamento ser penoso (o que é incrível porque olhar para uma criança é sempre normalmente divertido). Nestas circunstâncias, só tento olhar para as crianças se pressinto que vão apresentar uma birra fenomenal digna de se atirarem para o chão. Assim já vale a pena olhar para dar valor à distância.

Mas vamos também ser verdadeiros, e confessar que conseguimos nalguns minutos pensar no alívio de não termos horários para nos esparramarmos ao Sol e seguirmos os horários da fome e não do relógio para nos sentarmos à mesa. Estes minutos são estupidamente maravilhosos e é nesse momento que conseguimos dar um bofetão à culpa. Conseguir jantar à luz das velas sem ter medo que alguém se queime ou pegue fogo à mesa é estranhamente calmo. Uma sessão de massagens no SPA pode ser tão relaxante que um de nós até ressonou (não vou dizer se foi o Maridão senão era chato!).

No entanto, as horas de descanso passam com inúmeras trocas mensagens para atestar se crias comeram, se estão felizes ou com birras e se finalmente adormeceram. Mesmo que se receba a confirmação que está tudo bem, nestes dias o telemóvel é vigiado e consultado não apenas para confirmar mensagens e telefonemas, mas também para rever vezes sem conta as fotografias e vídeos das crias que me ocupam espaço do cartão e da minha memória.

Nunca tinha passado 3 noites sem as crias, foi um record batido em desespero de tantas noites sem dormir nos últimos 2 anos. Mas confesso que na última noite já soltava lágrimas de soluços e saudades só por falar das crias num jantar de amigos. Uma vergonha! Sou assumidamente uma Mãe galinha. Não me ponho aqui a apontar o dedo aos que se libertam e voam para outros Continentes e não choram, por isso aqui me confesso e não me apontem o dedo… mas se quiserem chamar-me Mãe galinha estejam à vontade. Piu! Cada um sabe de si e eu sou uma Mãe galinha com fraca apetência para golpes de capoeira na consciência. O regresso é uma maravilha! Se antes de ter filhos tudo sabia tão bem e no final até apetecia fazer birra no check out (sem pesos de consciência mas sem grande valor quanto ao descanso), com filhos no horizonte do regresso tudo é feito a despachar para finalmente chegarmos a casa e apertá-los de mimos e dizer-lhes que os adoramos e estamos prontos e frescos para mais birras e noites mal dormidas!

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A minha sobrinha Inês à "pendura" na festa dos 2 anos do Francisco


E a mesma Inês (bem mais crescida) à "pendura" do Manel na festa dos 2 anos deste


Digam lá se os manos não são fotocópia?

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Um bolo simples de iogurte salpicado com açúcar em pó para uma festa de meninos de bibe...
Reencontrar os novos amigos do Manel e vestir-lhe pela primeira vez o bibe foi como tornar oficial a entrada na escola. Um início em festa para quem está de parabéns por conseguir chegar à escola e ter agora todo um percurso pela frente... Para rabiscar a lápis de cores novas experiências que se querem felizes. Muito delicioso assistir aos meninos em volta da mesa e do Manel, contentes a provar o bolo segurado em dedinhos pequeninos e gordinhos. Uma festa!

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Aqui ficam umas imagens do bolo do Manel

E a imagem de inspiração (Francisco mergulhado em piscina de bolas)

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Parabéns Manel

16.04.14

 

 

Parabéns meu Manel

Nesta data mais querida

Conta sempre com o meu colo

O nosso abraço de paz

Os beijinhos mais doces

Para te protegerem sempre

E nos guardarem juntos felizes

Por muitos e muitos anos de vida

Hoje é dia de festa

Cantamos todos para ti

Para te fazermos mais feliz

Obrigada por me teres escolhido

Por ter a honra de ser a tua Mãe

E ter crescido contigo

Mais do que alguma vez já tinha crescido com alguém

E termos passado juntos em 2 anos

Tudo o que eu pensava não conseguir

Mas juntos temos as forças mais especiais

Daquele amor tão puro e grande de Mãe e filho que só nós podemos ter.

E eu tenho-te a ti comigo e hoje celebro contigo a nossa vida

Com tantos milagres vencidos que nos fazem cantar mais alto

Parabéns!!

 

Fotos do Manel - Babyart pela minha querida Raquel Brinca da HUG

 

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Insónias

14.04.14

Naquelas noites em que a cabeça se deita mas continua a girar enquanto todos os outros dormem descansados.

Penso na primeira festa de anos do Manel. São dois anos mas é o primeiro ano com direito a festa.

Recordo a angústia do ano passado. Da falta de ar do Manel e da minha que ao seu lado constatava que ficaríamos presos no Hospital sem alta para cantarmos os parabéns em família. Podiam ter sido mais uns banais dias de internamento, apenas mais uns a somar a outros tantos. Mas a injustiça de nos sentirmos privados da alegria fez-me temer o futuro. Tinhas nascido e o Natal não teve festa. O teu aniversário, por infeliz coincidência, também não tinha festa e assim tudo parecia ser demais.

O Francisco há tempos dizia que este seria o teu primeiro aniversário. Recordei-lhe então que agora completas 2 anos e não 1. Sem dramas o Francisco encolheu os ombros e disse que então tínhamos de organizar um festão.

Agora penso na sorte de não estarmos no hospital. Apesar de tudo até voámos este mês. Mas há alguma preocupação que não desvanece, não se apaga e de vez em quando dói-me mais do que noutros dias.

Em vez de dormir fico a imaginar o teu bolo. Fico perdida por não me explicares qual é o teu boneco preferido e lamento a falta de noção (minha e tua, talvez mais minha por me importar com o que não importa). Depois afundo-me a recordar as palavras secas daquela Mãe que nos viu no parque. Perante a tua dificuldade em subir as escadas, mesmo apoiado em mim, aquela Mãe questiona-me afinal que idade tens tu... com um espanto desagradado de ver um bebé tão grande e com tão pouco equilíbrio e noção. Só lhe respondi que tinhas 1 ano. Não me apeteceu explicar mais nada a quem não tem noção nem parece querer ter. Há gente que julga ter os  filhos mais desenvolvidos do mundo e nem filtra  impertinentes juízos de desenvolvimento dos outros. Magoou-me. A ti não, felizmente. O Francisco também não percebeu.

Confesso que me canso. Não me canso só de explicar a doença. Fisicamente és um desafio que eu tento superar. São 14 kilos que amparo na minha estatura pequena. Gostava de ser mais forte que um gigante para te colocar muitas vezes no topo do escorrega e te amparar na descida com toda a segurança. Brincar consegue ser um desafio para ambos. No final fico tão cansada como tu. Há dias que fico triste por não ter sido mais forte, não ser capaz de mais.

Amanhã já vou dormir melhor, já me conheço nestas fases. Vais gostar do bolo porque vou enchê-lo de smarties. Assim pode chamar-te mais a atenção pelas cores e com 2 anos será a tua estreia oficial no chocolate. Animo-me a pensar que gostas de bater palminhas quando cantamos os parabéns. Desta vez são os teus anos e eu não vou chorar como no ano passado. Vou cantar o mais alto que puder e vamos cantar muitas vezes. Até na escola com os novos amigos e o Francisco e a Inês. Depois em casa, finalmente em casa, numa festa caseirinha para te sentires protegido e mimado por todos. Pequena mas grande festa. Não sei se saberás que a festa é tua e por ti mas quero que sintas que te amamos loucamente. Se por vezes não dormimos é porque há dias em que nos desgastamos em fraquezas e gastamos os minutos a tentar antecipar um futuro que queremos seja feliz, custe o que custar.

Este ano será mais feliz. Perdoa-me as fraquezas de alguns momentos e obrigada pelos teus abraços que são tão puros e os mais sentidos de todos. Falas-me muito nesses abraços e através deles ganho coragem para escutar tudo o que me dizes nesses braços agarrados a mim.

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Pezinhos que dão vontade de morder, encher de beijinhos!!! São do Manel mas são meus!

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A cidade de Havana marcou-nos. Não é uma cidade que orgulhosamente exiba um património recuperado. Infelizmente encaramos Havana com muitos edifícios belos mas gastos e degradados que apenas nos permitem adivinhar um passado esplendoroso e rico. Os automóveis clássicos circulam por todo o lado dando movimento ao passado e comprovando que a mecânica tem capacidades de ressurreição. Ainda assim, a cidade encanta-nos pela música, pelo contraste entre o moderno e o antigo e um povo que vive a sua cidade e a anima. As pessoas são pobres, mas instruídas e alegres. O calor e a vista mar são antidepressivos natos e ninguém aparenta um ar ansioso ou apático. Na marginal de Havana (Malecon) há sempre gente. O nosso guia explicou-nos que os cubanos percorrem a pé aquela estrada marginal em todas as ocasiões da vida. Quando querem pedir uma garota em namoro ou romper com ela. Se um amigo de longa data está em Havana por poucos dias, é certo que o encontram ali no Malecon. Os velhos conversam horas a fio pelos bancos espalhados nessa avenida. Mesmo que um furacão atravesse Havana, garantem-nos que há sempre alguém que não se abrigou e escolheu assistir à tempestade em pleno Malecon. São histórias e cenários que não se esquecem e é de Havana que trazemos mais saudades.

Na praia pretendíamos apenas desfrutar do Sol e das águas quentes. Engraçado como nos submetemos a longas horas de voo para o Francisco nos dizer que o que mais gosta é da piscina. É miúdo e não ligamos, mas estranhamos tantos estrangeiros que preferem passar o dia inteiro na piscina a beber cocktails. O Manel mais uma vez delirou com a água e nem se zangava quando o mergulhávamos no mar. Tínhamos enormes expectativas de o pôr a andar na areia e assim desenvolver a marcha. Cair na areia só tem como consequência mascarar o Manel num mini croquete. Houve vezes que caiu redondo de cara na areia e nem boca nem pestanas ficaram a salvo. Uma banhoca no mar e estávamos prontos para mais. Infelizmente o Manel ficou doente, com febre, tosses e ranhos. A febre apareceu como se tivéssemos de enfrentar um furacão. Trancados no quarto, desesperados. A médica apareceu e confirmou que seria gripe, a que os cubanos gostam de chamar catarro. Ora pois que a nossa formiga apesar de nem fumar charutos, apanhou catarro em Cuba. Temos uma sorte! Apeteceu-nos fugir de imediato para Portugal. Não gosto de febres, seja em que sítio for mas no estrangeiro assustam-me mais. E se isto fosse o início de mais uma bronquiolite? Íamos ficar ali presos em internamentos em Cuba? Escolhemos esse país para irmos descansados quanto a medicina, mas não queríamos de todo ter uma experiência hospitalar. Férias=Descanso. Ninguém pediu a febre, podem por favor levá-la de volta?

Uma desgraça nunca vem só e eu fiquei durante 7 dias a chá, pão e soro bebível.  Sim que uma pessoa perde toda a dignidade quando vai ao médico queixar-se que não consegue ter um raio distante da casa de banho... isto numa senhora parece mal. As senhoras não deviam padecer disso. Os puns das senhoras deviam ser sempre inodoros e não audíveis e toda a gente sabe que as senhoras nem cocó fazem. Por isso cheia de boas maneiras tentei explicar com eufemismos a minha maleita e o médico do hotel não vai de modas e diz-me que uma injecção é o melhor remédio. Preparo o braço e diz-me que não, tem que ser na nádega. Enquanto me viro contrariada e a sentir que bati no fundo da dignidade e que não nasci para ser feliz (nem de férias nos intervalos da vidinha) sou avisada que a injecção tem 3 componentes. Um cocktail portanto, o único que consumi. É que nem um Mojito, nem uma Cuba Libre, nada, só aviei uma injecção de penalty! A estas férias devíamos descontar três intensos dias de maleitas minhas e do Manel. O Francisco conseguiu manter sempre o astral em alta e ficava histérico quando o mordomo nos trazia o jantar ao quarto. Tudo foi motivo de alegria para o Francisco. No último dia a febre foi embora e eu consegui ganhar raio de acção até à praia. É sempre assim... no último dia é que apanhamos o dia com mais calor, menos vento e água mais quentinha. .. aquele agridoce irónico das últimas horas no paraíso. No regresso o Manel teve um ataque de tosse de 3 horas antes de entrarmos no avião. Eu e o Rui conseguimos rir quando nos lembramos que enfim, em caso de necessidade, o avião tinha máscaras de oxigénio. Valha-nos isso. Enfim, tentámos ir longe para nos desafiarmos numa vida normal. Conseguimos chegar. Conseguimos ficar doentes. Conseguimos melhorar e regressar. Calem-se as vozes insolentes dos que avisam que viajar com crianças é uma loucura e já se adivinha que há sempre alguém a ficar doente. Quando ficámos doentes pensei que as férias tinham sido o disparate mais parvo a que me predispus. Depois no último dia ao dar um mergulho espantoso pensei que apenas tínhamos saldo negativo nas férias, mas não podia esquecer alguns momentos bons. Agora que já passaram mais dias recordo que as férias tiveram um saldo 50/50 entre o bom e o mau. Daqui a duas semanas já vou conseguir dar mais valor ao positivo e inverter as avaliações anteriores. Temos que nos distanciar em tempo do mau para valorizar o bom. Para o Francisco o saldo das férias foi do melhor. Adorou ver os golfinhos e a piscina. Na escala em Madrid até se atreveu a perguntar se o segundo avião que apanhávamos seria de regresso a Cuba. Enfim, vai uma pessoa tão longe com piscina em casa e golfinhos a 15 minutos no zoo de Lisboa. Havia lá necessidade! Se tiverem histórias de maleitas em férias, partilhem por favor que uma pessoa conforta-se sempre!

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