Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 

Celebra-se hoje o dia mundial da luta contra o cancro.

 

Tenho muito medo dessa doença que sem ser contagiosa parece estar em toda a parte e já minou tantos dos meus familiares e dos meus amigos.

 

Todos lutam e o que mais me entristece é saber que é uma luta incerta e injusta. Nunca são certos os vencedores e os prémios da vida parecem sair em tamanha lotaria, tal qual o jogo de azar que lhes trouxe a doença. É um verdadeiro milagre se acontece a confirmação de uma cura.

 

São muitos os que vi perderem a vida, mesmo tendo lutado com todas as forças. Mas o que mais importa é que nenhum deles se arrependeu da luta e nos deixaram a lição de um sorriso e de uma esperança que não morre na enorme força de batalha que hoje se quer mundial.

 

Por vezes até parece que lidaram com a doença melhor do que nós, aceitando, rindo quando tinham forças para rir e lutando sem questionar muito "o porquê eu?" enquanto nós perdemos muito tempo a pensar "porquê aquele?".

 

Lembro-me do António Feio rindo. Lembro-me das palavras da Mãe Vanda contando o sorriso do seu filho Paulo para a tranquilizar no dia antes de partir.

 

Não esqueço as lágrimas da Daniela chorando depois das lutas os lutos sucessivos da mãe e da irmã.

 

Tenho saudades do meu Avô André que nem conheci e que o Francisco e o Manel tenham também perdido assim a Avó Luísa.

 

Hoje assisto a um Padrinho a quem o Médico já não programa mais sessões de quimioterapia. E o meu Padrinho está feliz e sereno, sem medo de morrer numa lição de vida eterna tão natural como quem não tem medo do escuro durante a noite.

 

Mas eu tenho saudades e tenho medo. Quero ter fé sem me perder nos porquês.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Saudades são as memórias boas que refinámos das más
As boas lembranças dos que partiram para longe e a vontade de os reencontrar.

Matamos saudades dos que falamos à distancia
Já não dos que partiram para a eternidade... Aqui já são as saudades que nos matam pela distância impossível de reduzir.

Também temos saudades dos cheiros, dos gostos e das terras
Mas as saudades de certos abraços são sempre as maiores e as que mais aumentam.

Abracemos os que estão connosco para amanhã termos menos riscos de saudades
E caso a saudade nos assalte sem aviso então pelo menos que seja em grande.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não é suposto

22.01.14

Não é suposto perder um amigo de infância

Não porque nos zangámos ou amuámos

Nem por deixarmos de falar ou importar pela falta do tempo de a amizade reatar.

Não é simplesmente suposto que gente nova morra

Seja lá do que for e como for

Porque o que foi não é suposto

Nem permite o recurso ao recorrente falso consolo que aconteceu por ser suposto.

É pois impossível não sentir que a doença vulgarmente conhecida por prolongada

Não se prolongou afinal assim tanto

Nem sequer o suficiente para permitir um contra-ataque

E desonesta levou a melhor, mas não o melhor do meu amigo

Porque o melhor vive ileso na alma que não adoece nem padece

E a alma do meu amigo é tão forte que não se esquece.

 

Não se perderá jamais a memória de um amigo

Que nasceu exactamente no meu dia

Deixando-me agora o destino as velas a arder

Sem a alegria presente do seu sopro

E a tristeza de as velas agora serem só minhas

Sem eu nunca conseguir apagar esta saudade que me consome.

Não é justo, não é suposto!

 

Rezo por ti e para entender o que não é suposto

O que acontece contra os nossos relógios, as nossas vontades e as nossas balanças de justiça.

Rezo para tentar acreditar mais e ter alguma paz nessa fé de vida eterna do céu

Onde já moram poucos mas alguns dos meus mais jovens amigos.

Descansa por momentos em paz no céu

Mas depois sorri e encanta os que aí encontrares

Como tão bem nos alegravas por cá.

Talvez o céu precisasse urgentemente de ti e de gente extraordinária como tu

E não apenas dos que naturalmente e supostamente vão morrendo.

Olha por nós que te procuraremos nas lembranças e nas estrelas mais acesas

Podendo quem sabe esse nosso olhar cruzar-se na saudade. 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Inquietações

07.01.14

 

De vez em quando choram-me no coração estes pingos da chuva que nos outros dias consigo controlar e sabiamente conter em emoções de bom tempo de esperança.

Assaltam-me e assolam-me num golpe só estas preocupações postas propositadamente ao lado, numa força desmedida da pressão acumulada.

 

Serás capaz Manel? Serás feliz? Ou serás tu feliz e apenas eu infeliz com algumas frustrações mal lidadas por tu não teres noção completa?

Serás sempre amado pelos outros quando deixares de ser um bebe amoroso? Serei eu capaz de te defender? Será o Francisco capaz de te defender?

Serás capaz de um dia dizer que me amas ou será que apenas lerei esse amor em ti?

E se eu morrer? E depois?

 

Não me digam para não me preocupar. Não me digam que tudo vai correr bem. Apertem-me só a mão e jurem-me que também apertarão sempre a do Manel haja o que houver.

 

Nestes dias sinto que talvez seja uma pateta alegre nos demais. Mas não interessa.

 

Eu não sou o que sou nestes dias, nem só apenas o que sou nos outros dias. Eu sou esse espírito que balança trémulo entre todos esses estados de mim e vivo precisamente dessas pulsações.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D