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Febres

28.10.13

Não gosto de febres. Sejam as febres de simples viroses do Francisco ou as febres do pós-operatório do Manel.

A febre acende-me, consoante a temperatura, a luz amarela ou encarnada do meu semáforo de preocupações maternais.

Francisco pode espirrar que está tudo bem, mas se espirra com febre então passa a estar tudo mal. E infelizmente, sou daquelas Mães que se apetrecha com um termómetro de qualidade igual à do hospital para medir a maldita em casa com a maior precisão (chegando às vezes ao cúmulo de medições de 5 em 5 minutos quando a febre paira acima dos 38). Não consigo nem esperar a meia hora de praxe após o remédio para voltar a medir. Ando ali, não em relatório mas em relato de febre ao minuto.

 

Com o Manel então, a febre é sempre um sinal encarnado de emergência e de perigo de convulsões.

Na madrugada em que mudou a hora, eram três da manhã e dei conta que o Manel não estava bem. Pedi a enfermeira para lhe medir a febre. 39,2! O Manel nunca tinha atingido tal pico!

Numa primeira fase, receei as convulsões. Felizmente nada a registar e febre cede ao ben-u-ron.

A febre podia baixar mas eu tinha de descobrir a origem para garantir que a velhaca não o atacava mais e se entretém noutra freguesia que não a nossa. Acendi a luz e pus-me à procura de sinais da maldita, rastos, até que encontro a perna do Manel (junto ao cateter central) muito inchada, quente e rija. Algo não está bem e chamo novamente a enfermeira que confirma o quadro. Junta-se a nós a Médica que ordena a suspensão de utilização do cateter até serem tomadas novas decisões. Na manhã de Domingo assisto à retirada a sangue frio do cateter central. Depois seguem-se picadas para análises e mais quatro tentativas até ser colocado um cateter periférico temporário. Manel sofre a picada a picada e apertos na pele e eu, como Mãe, no coração ainda com mais noção que a dele.

 

Ainda assim, e apesar do cateter infectado já estar fora de jogo, a febre voltou de mansinho à tarde e à noite. Não gosto nada da mistura diabólica da febre e da noite, inquieta-me ainda mais. Não sei explicar este fenómeno,  mas a mesma temperatura medida à luz do dia parece-me sempre mais baixa ou menos grave do que quando medida de noite.

 

Manel deverá regressar entretanto ao bloco para lhe ser colocado novo cateter central que resista aos antibióticos dos próximos 10 dias (o que implica extensão de prazo de internamento e engord do meu plano de chocolates).

Aguardo e vigio a febre até lá, confiando que estas mudanças de antibióticos e plano de troca de cateter sejam eficazes para a melhoria do Manel.

 

 

Apesar de tudo, Manel sorri e o cenário podia ser ainda pior. Juro que quando suspeitei que a infecção podia estar ali no cateter, mesmo à minha frente, até tive vontade de o arrancar com os dentes. A espera consome-me muito e quem dorme pouco não tem muitas reservas de paciência.

 

De qualquer forma, e apesar de não poder fazer nada, sem ser o de assistir em primeira fila a tudo isto, tenho um papel importante a cada picada. Não seguro em garrotes nem seringas, mas canto-lhe baixinho. Dou-lhe gotinhas de sacarose e beijinhos como rebuçados para a dor. Não o posso privar a nada disto, mas estou ali a dar-lhe a coragem em forma de sorrisos (um bocadinho dissimulados nestas alturas, mas esforçados). Sei que os beijinhos e canções não o anestesiam da dor, mas têm algum efeito atenuador, confirmado numa devolução de sorriso sincero após pouco tempo de recuperação.

 

O que eu aprendo e me surpreendo com a coragem e o sorriso do Manel!

 

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9 comentários

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De Maria João Cabral a 28.10.2013 às 08:27

<3 um beijinho, o Manel é um amor!
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De Monica a 29.10.2013 às 23:06

é mesmo um grande amor da minha vida! obrigada por rezar tanto por ele!
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De Anónimo a 28.10.2013 às 08:29

Apenas e simplesmente maravilhosas as tuas palavras Mónica! <3
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De Monica a 29.10.2013 às 23:07

muito obrigada! beijinho
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De Carla Santos a 28.10.2013 às 14:25

Uma Mãe alerta muitas vezes vale mais do que um batalhão de médicos. É como eu costumo dizer:"Quem conhece melhor os seus filhos do que as mães?".
Força Mãe Mónica... 10 dias vão passar a correr e a infecção e a febre a ela associada vão fugir a 7 pés.
Beijinhos <3
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De Monica a 29.10.2013 às 23:07

é caso para dizer que ando aqui feita Mãe Galinha (de dia) e coruja (de noite)! Sempre alerta! Escuto! bj
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De Ana K a 28.10.2013 às 23:52

muito lindo este menino. vai ficar bem.
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De Monica a 29.10.2013 às 23:08

assim esperamos! :)
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De Inês a 31.10.2013 às 11:43

Chorei...do início ao fim, emocionada, aflita, esperançosa e muito solidária com as dores do Manel e da mamã, que sofre sempre no coração, como disse!
Um beijinho de muita força...vou rezar, muito!

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