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Mais um shot!

26.06.14

Lembram-se de há pouco tempo vos ter falado aqui do fantástico cocktail que provei em Cuba?

E daquela gripe manhosa que apanhei há um mês?Pois é preciso manter o ritmo e esta semana sou assaltada por umas febres que avançam para uma dor de garganta... E eu contra-ataco com os ben-u-rons e o brufen e nada de melhorar!  Ontem lá me rendi na urgência e a médica pergunta-me:

- Prefere levar uma injecção de penicilina hoje e outra amanhã? Ou prefere levar tudo hoje?

 

Antes de ponderar todos os prós e contras respondi que era logo tudo a despachar. Depois é que comecei a medir se tinha feito bem, mas não sou pessoa para depois dizer... ai medo, se calhar quero duas piquinhas e não uma injecção foguetão!

 

Nisto aparece o enfermeiro e eu fico logo corada para além do medo. Dava para me mandarem o estereótipo da enfermeira gordinha e simpática. Agora vem aqui o enfermeiro com ar de figurante da Anatomia de Grey e eu a levar uma injecção no traseiro! Se ainda fosse para tirar sangue, tuuuudo bem, agora para me picar o bumbum, faxávor já me basta a amigdalite. Mas enfim uma pessoa logo finge aquele ar de adulto e ai e tal somos todos profissionais e despacha lá isso para eu me ir embora destas poucas vergonhas.

 

Pois que não doeu e eu saí com o ar mais distinto que consegui improvisar e até fiquei convencida que o assunto ficava resolvido em horas.

 

Mas hoje tenho um problema, já quase não me dói a garganta... pudera tal é a dor na nádega que nem estou em condições de me lembrar sequer que ontem me doía era a garganta.

 

Enfim, estou solidária com os jogadores lesionados da nossa selecção. Tragam-nos vitaminas ou qualquer coisa!

 

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Já várias vezes falei aqui no blog que a gigante cicatriz do Manel na cabeça foi apelidada pelo Kiko de "risca".

 

A risca não é um desenho pequeno e muitos meninos  ficam intrigados e disparam mil perguntas.

 

De dia para dia (e com o crescer do cabelo em volta) vou-me habituando à marca. Em bom rigor a risca até é sinal das cirurgias que deram mais qualidade de vida ao Manel. A risca por si não é um sinal da doença, mas da nossa batalha contra essa maleita... é uma marca de guerra e devemos ter orgulho tal como os soldados exibem as suas cicatrizes.

 

Mas há sempre alguém que não consegue enfrentar a risca e uma vez, em conversa, foi-me até pedido para não tirar o chapéu ao Manel. Pela primeira vez senti na pele que a risca poderia colocar-nos barreiras. Sempre são fronteiras que se criam com as pessoas com quem não devemos perder tempo na vida, mas são barreiras que de outra forma eu não entenderia.

 

Não escondo que também já falei aqui muitas vezes sobre o Cristiano Ronaldo e de como fui simpatizando mais e mais com a sua determinação e amor pela sua Mãe.

 

Ontem não deixei de reparar no seu corte de cabelo. Hoje fico mesmo sensibilizada por perceber que o Cristiano quis prestar uma homenagem a um menino de "risca" como o Manel.

 

Obrigada Cristiano!

 

 

A probabilidade de ganharmos o Mundial se calhar é a mesma de descobrirem a cura para a esclerose tuberosa nos próximos anos. É bom saber que alguém se preocupa com meninos das "riscas" como o Manel.

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Força Portugal

16.06.14
Hoje é Segunda-feira mas parece Sexta! Toda a gente a fazer planos para o final da tarde e para se pisgar de fininho.
Minis no frigorífico e os putos a gritar Portugal olé (sendo que o meu kiko gosta de acrescentar o verso salsichas com puré!)
Está calor e quase nos sentimos todos no Brasil :)
Let the game begin Tugas!

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Manel o Minion

14.06.14
Óculos escolhidos. Segui os conselhos da amiga Rita (uma mãe coragem) e comprámos uns óculos de silicone Miraflex (inquebráveis para evitar dói dóis em caso de queda do Manel) e com elástico atrás à volta da cabeça - igual ao dos minions. Percebi que mesmo com lentes especiais de espessura reduzida os olhinhos do Manel ficarão super ampliados em efeito gato das botas. Aqui fica uma imagem da prova (ainda sem lentes fundo de garrafa). O amor de Mãe faz-me continuar a vê-lo como um grande fofinho :), e é meu!

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Nestes dias eu fico a desejar que o resultado seja fofinho....

 

 

E a torcer para encontrar os óculos mais giros e inquebráveis de todos os tempos!

 

O Francisco ficou todo entusiasmado e diz que também quer uns, verdes! Nestas idades é típico ter inveja de quem usa óculos ou aparelho.

 

(Ps - O oftalmologista confirmou que os tumores dos olhos não estão a afectar o nervo óptico = boas notícias. Esta doença não dá descanso, andamos sempre na azáfama de exames para a vigiar - velhaca com a mania que é rara!)

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Eu e o Francisco somos amantes das feirinhas e vibramos com as músicas do Tony Carreira que se ouvem nos altifalantes, interrompidas pela senhora dos carrinhos de choque que grita para alguém rodar o volante ou por a ficha para mais uma voltinha.

Todos os anos ficamos animados com a "nossa" Feira de Oeiras e desejosos para descobrir se há novos carrosséis, apesar de sermos fãs fieis dos clássicos carrinhos de choque e das chávenas que giram no mesmo carrossel de há anos e anos.

Há coisas que não mudam.... desde pequena me lembro dos rapazes que trabalham nos carrinhos de choque e conduzem sentados nos encostos e não nos bancos, com um ar de "sou muito mau e não se metam comigo que ando nisto todos os dias". A cada paragem a criançada salta e roda maluca e ouve-se sempre a birra da menina que queria o carro cor de rosa ou do menino que queria a mota e já está ocupada! Mas assim que se inicia nova voltinha, já está tudo a postos para novos embates!

No carrossel é assistir aos paizinhos a dar indicações para os filhos não se largarem e os putos acenam delirantes enquanto lhes tiram as fotos para mostrar aos avós... e há sempre aquele que chora com medo enquanto outro grita por mais velocidade.

Este ano a feira tem uma mini montanha russa que parece construída nos anos 70. O Francisco não teve medo nenhum e eu ao lado gritava a rir de nervoso com receio que algum parafuso ou ferro saltasse! A montanha russa não tem descidas, loopings, nem rapidez alucinantes mas o barulho dos carris tão gastos dão mais adrenalina que qualquer diversão dos  parques famosos. Tenho mesmo de  aproveitar enquanto o Francisco gosta que o acompanhe e ainda não tem vergonha dos gritos risos da Mãe. O Pai delicia-se a assistir sossegado ao espectáculo dos nossos gritos.

Tanta agitação provoca fome e no ar mistura-se sempre o aroma do açúcar do algodão doce, com os óleos das farturas e fumos das sardinhas. Ir à feira uma só vez não chega. É que posso "matar a fome" rapidamente das diversões, mas não tenho estômago para de uma vez só satisfazer os desejos das farturas, pipocas algodão doce, pão com chouriço quente acabado de sair do forno, caracóis, bifanas! Temos de lá voltar!

Tenham cuidado é com os roubos! Um balão = 5 euros senhores! Um escândalo! Mas enfim, o balão tem sido a maior diversão do Manel lá em casa que adora passear o balão e tentar "morde-lo" sempre que o Francisco está mais desatento. Gosto de ver o ar satisfeito do Francisco a sair da feira agarrado ao seu balão, igual ao meu ar feliz agarrada a um manjerico e aos sacos de biscoitos de erva doce e limão!

Vivam os Santos!

  

 

 

 

 

 

 

 

 

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A passo e passo

08.06.14
Com pequeninos passos ainda um pouco trémulos mas com vontade de descoberta, segurando na mão um balão tão cheio como os nossos sonhos que pairam no ar! E eu tão orgulhosa de ti!

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Ontem escrevi um post sobre a minha relação com a comida. A comida de facto conforta-me.

Mas também há palavras que confortam (com a vantagem de não nos engordarem tanto).

 

O Manel tem andando doente. Depois da estomatite aftosa o rapaz mal se recompôs e apanhou entretanto uma virose. Mais uns dias em casa sem ir a escola... o gazeteiro!

 

Quando de manhã deixo o Francisco na escola, as educadoras do Manel têm perguntado por ele. Perguntam-me se o rapaz está melhor, interessam-se e comentam que têm saudades e se é já amanhã que o Manel regressa a escola.

 

Saio da escola com o coração cheio e a certeza que o Manel está em boas mãos. Pode dar mais trabalho que qualquer outro da sua sala, mas é querido por todos. Querem-no de volta! Parece tudo simples, mas para uma Mãe de menino especial, esta simples pergunta foi valiosa e alegrou-me o dia.

 

Muitas vezes perguntam-me se está tudo bem e respondo com o mesmo automatismo da questão que me foi dirigida.

 

Mas, por vezes, essa pergunta tão simples pode fazer diferença no nosso dia, quando sentimos que alguem do outro lado se preocupa e quer mesmo saber.

 

Assim como quando alguém nos envia uma mensagem e deseja boa sorte para algo que queremos muito e nos faz sonhar. Essa mensagem é como se alguém nos desse a mão com força em segredo.

 

Quando alguém morre nunca sei o que dizer. Parece que não encontramos palavras verdadeiras e sentidas para aliviar o outro. Prefiro muitas vezes dizer apenas que estou ali para o que for preciso e sempre que for preciso. Se só disser "Os meus sentimentos" parece não fazer sentido... que sentimentos?

 

Acredito pois que as palavras simples são as que mais confortam e encorajam.

 

 

 

 

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As comidas e eu

03.06.14

No fim de semana fiz pela primeira vez uma pavlova. Para quem não conhece é uma sobremesa em que a base é um suspiro gigante, levando por cima uma camada de chantilly e frutas. Um pecado irresistível. Não ficou perfeita, preciso tentar ajustar melhor a receita. De qualquer forma, não sobrou nada o que me incentiva a aprimorar o doce.

 

 

Enquanto cozinhava, lembrava-me que esta é uma das sobremesas preferidas da minha irmã do meio que está noutro Continente distante. 

 

A comida traz-me recordações de infância (dos tempos em que com 4/5 anos já aprendia a cozinhar com a minha Avó) e memórias de amigos e família que estão longe. Não há vez que prepare uma mousse de chocolate sem me lembrar da minha Avó que está no céu. Ou que pense em tarte de leite condensado sem me lembrar da Katucha ou da Fatty. O rolo de carne é o da Madrinha e quando escuto alguém falar em bimby os meus pensamentos estão nas minhas primas e cunhada. Não há tarte de maçã melhor do que a da minha Mãe. E que saudades dos caracóis do Pai da Filipa. Mais recentemente Fondue tornou-se sinónimo de casa dos Malatos. E assim vou catalogando as comidas com os nomes e lembranças da família ou dos amigos.

 

Mas há um problema grave, gravíssimo. Eu só não gosto de dobrada, sardinhas e pés de porco (ok insectos também se formos "chiques" e pensarmos em cozinha internacional). De resto, adoro tudo. Podia ser esquisita e ter uma figura de meter inveja. Mas gosto tanto de comida que sou capaz de fazer quilómetros só para ir comer ao restaurante X ou Y. Nas férias sou menina para acordar com o despertar dos miúdos na hora em que o galo canta e ponderar ir para a praça ou mercado pela fresquinha tentar encontrar lingueirão para um arroz malandro! Pensar no jantar antes mesmo de tomar o pequeno almoço é capaz de não ser normal.

E já ando em pulgas ansiosa pelo Mundial! Não que conheça de cor todos os jogadores da selecção e que consiga assistir aos jogos concentrada (depois de ter miúdos é uma sorte se me aperceber do resultado assim que o jogo acaba - às vezes só me lembro de perguntar no dia seguinte o resultado do jogo que supostamente assisti). Mas é uma excelente desculpa para nos reunirmos em roda da mesa televisão a petiscar!

Eu sou assim, bato com a mão no peito e me confesso a pecadora das mais gulosas!

Mais alguém se confessa?

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Tenho saudades de ser pequena e sonhar ser crescida

Dos dias em que o tempo parecia infinito

E eu tinha a pressa irrequieta das crianças

Em tempos em que esperávamos impacientes a abertura do canal de televisão.

 

Tínhamos aquela idade especial, sem medo de provarmos o azedo das flores amarelas

Ou das flores das quais puxávamos o fio adivinhando o doce das suas gotas.

 

Conhecíamos bem a rua, os outros miúdos

E juntos riscávamos a giz o alcatrão,

O nosso território de macacas e sirumbas

alimentado a papas de lama e cuidado por pais e mães de meio metro

Onde podíamos gritar e ouvir os nossos pais gritando também para regressarmos a casa.

 

Tempos em que teimávamos que queríamos a piscina e não a praia,

Mas ríamos enrolados nas ondas cheios de areia na cabeça sem nada importar.

 

Podíamos ser caçadores de bichos, lagartas, sapos, bichos da seda, caranguejos

Mas também nos era possível voarmos nos baloiços com um balanço em despique

E enfrentar receios em jogos de quarto escuro

Gritando tantas vezes nos conflitos das batotas,

acusando ou defendendo como se fossemos pequenos juízes da nossa verdade.

 

O nosso quarto era um palco e trampolim de imaginação,

em segundos transformado no nosso faz de conta

ainda mais real se inventado e contracenado com irmãs ou amigas.

 

Tenho saudades de ser criança

Mas tenho muita sorte por ter hoje as minhas crianças com quem brincar.

 

 

 

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