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Tempo para rezar

28.05.14

Temos sempre muito para fazer. Nem sempre nos lembramos de Deus e muito menos nos organizamos para rezar, dar graças... Também não quer dizer que o façamos por mal. Há amigos do peito com quem também não falamos todos os dias.

Quase sempre a oração é feita em momentos de angústia, em que levantamos os braços aos céus em desespero. Nesses momentos não queremos ser esquecidos por Deus e a oração sai-nos do coração num grito quando antes nem murmurávamos.

Quando era pequena gostava mesmo muito de rezar. Depois passei alguns anos em silêncio. Não foi um silêncio revoltado, totalmente descrente ou propositado. Achava que guiava a minha vida e não procurei mais nada que lhe desse algum sentido maior.

O Manel nasceu e muita gente me disse que o Papa Francisco afirmava que Deus dava as maiores batalhas aos seus melhores soldados.

Acontece que eu não me alistei... Não foi uma escolha minha ser guerreira e por isso não mereço esses elogios.

Seja porque motivo for, a minha vida tornou-se uma batalha. Os dias são de Sol ou de chuva. É-me mais fácil distinguir o que é um grande problema e um pequeno problema.

Passei a rezar mais. Em alturas em que o medo se apodera, já dei comigo a conduzir sozinha até Fátima. Para ganhar forças que não tenho, para libertar o medo quando o medo me duplica. A oração tem-me ajudado a encontrar alguma calma, algum sentido. Por isso não tenho dúvidas em confirmar a sábia frase do nosso querido Papa Francisco: às vezes na nossa vida os óculos para ver Jesus são as lágrimas.

Em Fátima escutei num terço alguém dizer que podíamos ter algum tempo para rezar se o fizéssemos logo pela manhã, no carro, a caminho da escola. Nessa altura poderíamos rezar em família.

Passei a rezar no carro e o Francisco acompanha-me. Muitas vezes pede para o Manel ficar bom da "risca" da cabeça e outros dias pede para não fazer birras na escola e para não se esquecer de trazer folhas para os bichos da seda.... O Francisco passou a querer rezar e muitas vezes é ele que me lembra. O curioso é que em Cuba, logo na primeira manhã em Havana, assim que entrámos no carro do nosso guia o Francisco perguntou se não rezávamos ao Jesus. Tive muito orgulho nele!

Deixo-vos aqui um desafio, rezarem pela manhã no carro com os vossos filhos... um momento em que pensamos juntos no bom dia que queremos ter e agradecemos estarmos juntos para viver mais um dia!

Depois contem-me como foi!

 

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"Doençazinhas"

26.05.14

O Manel apanhou estomatite aftosa. Juro que devíamos ter em casa uma caderneta de cromos das doenças. Apanhamos de tudo e temos cromos dourados (de coisas raras) e também temos cromos repetidos para a troca.

O Francisco já tinha apanhado estomatite aftosa (numa dose digna de transfigurar a cara do rapaz). Agora foi o Manel, check... next!

Confesso que a doença do Manel (esclerose tuberosa) me absorve tanto que me falta paciência para estas pequenas coisas.

Concentro-me tanto na batalha principal que depois não pareço não ter energia para estas "coisinhas" comuns.

Toda a gente diz que estas são as doenças "normais" e que nesta idade é comum os miúdos apanharem tudo. Pois sim! Mas eu já tenho a minha dose.

 

Para ajudar a festa apanhei uma gripe valente. Nos últimos anos era normal constipar-me e entupia-me de griponal, ben-u-ron e o que mais houvesse a mão e tudo passava mais dia menos dia. Mas desta vez a febre assaltou-me e o cansaço também. Não é suposto as Mães estarem doentes. Andamos muito ocupadas entre trabalho, miúdos, casa. Não temos tempo para doençazinhas.

 

Hoje começa a semana e espero virar a página para uma semana melhor. Tudo a regressar à rotina. E a rotina às vezes cai bem....

 

Eu nunca experimentei suminhos de fruta com espinafres ou bróculos, gengibre, sementes de chia e linhaça... será por isso que estou a cair aos cacos? Para além de não estar in quanto aos meus pequenos almoços sem graça, parece que estou a ficar fraquita. Era giro pôr-me aqui a armar que tomei um iogurte com granola XPTO e sementes disto e daquilo, ein?

Alguém que tome esses batidos pode confirmar se passou ileso sem doenças nos últimos dois anos?

Já estou por tudo!

 

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 A moda das pulseiras de elásticos é uma verdadeira febre.

O material não é nobre e compra-se na loja do Chinês... mas isso não interessa nada, vivam as cores e as mil combinações!

 

A pequenada e muitas mães andam entretidas e a dar largas à imaginação em verdadeiras oficinas domésticas de pulseiras. Tablets e computadores de lado, e venham de lá os teares, as canetas ou só os dedos para os mais habilidosos.

Isto já é um negócio senhores! E não pensem que os rapazes não fazem pulseiras e não as usam! Todos com mãos à obra!

Eu já me rendi também...

 

E não pensem que a nobreza se faz rogada às pulseiras com material dos "xeneses"... a Kate é uma copiona e também usa a pirosa!

 

 

Os meus primos aceitam encomendas. Olhá pulseira da moda! É "pró menino e prá menina", é um "éro", um "éro"!

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Todos os dias tenho ligado para a escola à hora de almoço, ansiosa para saber se o rapaz está feliz.

A adaptação ao ritmo da escola não é fácil e acredito que para o Manel tudo pareça uma montanha russa de emoções.

Curiosamente nos últimos dias o Manel agarra-se a mim antes de o deixar. Às vezes chora. Este chorar pode ser contraditoriamente bom, é sinal que tem noção de que me vou embora e está a entender a dinâmica. O importante é que tem conseguido (com a ajuda de muitos colinhos bons) recompor-se e assim vai crescendo.

O Manel na escola faz pinturas, tem aulas de música e de ginástica com os outros meninos, brinca lá fora no parque. Passaram tão poucos dias e eu sinto uma diferença grande na conquista da sua independência. No final do dia está cansado, mas depois de uns abraços das saudades acumuladas mostra-me um sorriso enorme de quem parece sentir-se importante.

A escola do Manel e do Francisco é fantástica. A sala do Manel é enorme e foi adaptada para bebés que estão a iniciar a marcha. O berçário já limitava a vontade destes exploradores que assim têm maior liberdade, sem a prisão das responsabilidades da sala dos meninos mais crescidos. É um enorme descanso sentir que não conheço nem imagino uma sala mais perfeita para o Manel.

O Francisco também está feliz ali e esta semana até me mostrou orgulhoso a horta da escola onde plantou couves.

Existem tantas escolas diferentes, com modelos e infra-estruturas diferentes que muitas vezes ficamos indecisos com tanta oferta perante a nossa procura da escola mais perfeita para confiar os nossos filhos. Aqui deve entrar o nosso instinto de Pais e a nossa certeza vai muito para além das opiniões dos outros e dos certos na nossa própria check list (todos temos prioridades diferentes). A simpatia pelas pessoas, pelo espaço e a interacção e energias têm uma subjectividade indescritível, sendo o que afinal nos enche em grande parte as medidas das expectativas.

 

 

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Ao primeiro embate na notícia da doença, inevitavelmente perguntamos em choque, “O quê?”.

Não se entende e/ou nada se conhece sobre a doença e por isso somos assaltados com uma pergunta incrédula de quem nunca se imaginou neste cenário.

Pouco depois vamos tentando assimilar que este assalto à saúde é mesmo real e fará parte, para sempre, da nossa história. Aqui começamos a deixar de respirar e a sentir o chão mais seguro a fugir de nós, para sempre é uma eternidade e não vai passar. A cada acordar temos a certeza que o pesadelo não passou e é mesmo para sempre. Num turbilhão tentamos antecipar os capítulos da vida que afinal não vão acontecer e os episódios mais horrendos que podem suceder. O medo é o único que toma conta de nós. A gestão de expectativas e emoções dispara sem darmos por isso, é automática de tão inevitável. Mas esta antecipação do reescrever tudo o que imaginámos para o nosso filho faz-se como se arrancássemos pregos das  metas desejadas, para logo de seguida martelarmos novas sem saber onde e como. Desorientamo-nos, não sabemos mapear um coração desfeito e sentimos que nós pais afinal não controlamos nada.

Durante este Norte perdido, a culpa também se apodera de nós para além do medo. Será que fiz algo de errado? Porquê o meu filho? Se a doença é tão rara porque nos calhou esta lotaria envenenada? Se a estatística é tão remota, porque nos aconteceu a nós e não a outros? Os pratos da justiça desalinham-se e tentamos encontrar uma razão para se assimilar o que não conseguimos digerir. Quando a razão não se explica, a nossa natureza humana faz-nos apontar o dedo da culpa. Talvez a culpa seja minha. Talvez esteja a pagar por algo de errado que fiz.

Nunca encontramos resposta a essa pergunta do “porquê nós?”.

Mais tarde já não nos martirizamos tanto com essa pergunta, tanto mais que o jogo de saber se era ou não justo, no fim do dia não afasta o mal. O que de mal acontece aos nossos filhos é sempre tremendamente injusto aos olhos dos pais.

Ultimamente, o que mais dói é a pergunta que pairará sempre no ar como uma espada em cima das nossas cabeças “como seria se não fosse assim?”. Vejo os meninos da idade do Manel a andarem, a falarem e pergunto-me o que me diria se já falasse para além do “Olá” e da “Mamã”. Como seriam as brincadeiras do Manel e do Francisco, o jogar à bola e as corridas? Estas perguntas magoam muito e são sempre automáticas quando vejo irmãos com a mesma diferença de idade do Francisco e do Manel ou meninos da idade do Manel já tão desenvolvidos. Acreditem que não sinto inveja. Esta é antes uma dor que não consigo explicar porque dói mais do que uma inveja... a inveja parece ter por base o tirar do outro para nós, uma cobiça. No entanto, eu sei que nunca poderemos ter a cura e o que eu quero não é nada que se roube aos outros. É algo que nos falta, de que sentimos muita falta, vemos nos outros mas não podemos ter. Aceitar isto demorará uma vida. Não sei se um dia vou morrer a aceitar o que nos faltou. Fico feliz pelos que têm e não lhes quero mal, só queria dar essa saúde ao meu filho, se pudesse (ai se eu pudesse).

Sei que entretanto me vou inspirando noutros pais que perante circunstâncias parecidas ou até piores, conseguem sorrir. Esses pais foram exemplos fundamentais para eu não morrer logo de choque frontal. Não nos apetece sorrir a toda hora, nem todos os dias. Muitos dias são ganhos apenas se conseguimos não chorar à frente dos outros. Mas também há dias em que sorrimos genuinamente. Todos os dias são portanto uma escolha entre o chorar e o sorrir. Antes da doença eu tinha os dias normais, em que não me preocupava se era dia de sorrir ou de chorar. Agora nunca mais terei dias normais e a vida é um constante balançar.

  

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Passeio no Zoo

05.05.14

O frio foi embora e saímos da "toca" para espreitar os bichos.

O Manel estreou-se no Zoológico e o Francisco mesmo antes de chegar já listava os animais que mais ansiava ver.

Confesso que adoro animais e se na Lua de Mel tive a sorte de fazer um safari na África do Sul, ir ao Zoológico nunca será um passeio sem graça.

Gosto de pegar no mapa e orientar os percursos para não perdermos pitada. Assim que entramos sentimos uma animação geral dos miúdos que conseguem ser mais histéricos do que a maioria dos animais (estes dormem pachorrentos, habituados ao frenesim da pequenada em redor).

 

O elefante já não toca o sino. Os leões sempre foram uns preguiçosos e nunca os consigo ver de pé.

Agora os macacos divertem mais ainda que os golfinhos.

Se na praia as bolas de berlim parecem saber melhor, ninguém resiste a um (ou mais) gelado(s) no Jardim Zoológico.

Só fico com pena de não conseguirmos interagir mais com a bicharada. Gostava de lhes dar festinhas, comida, estar ainda mais perto.

 

Eu não sabia, mas acabei de descobrir que o Zoo organiza actividades para grupos pequenos de adultos e crianças: Sábados Selvagens. Nesse âmbito é possível visitar alguns bastidores, descobrir os processos diários de tratamento e alimentação dos animais. Os preços não são nada simpáticos, mas enfim, será uma experiência única que fico aqui a ponderar. Mais informações aqui.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A mulher aos 30

02.05.14

Cheguei aos 30 com uma convicção fortíssima que esta década seria o auge da beleza! Aos 30 já se tem (supostamente) mais maturidade que aos 20.

Apesar das primeiras rugas (são as primeiras, e até dão jeito para combater o ar de garotinha de 16 anos), a mulher aos 30 arranja sempre mãos e pés e anda com uma imagem mais cuidada.

Na faculdade nunca arranjava as mãos (nem podia porque a cada época de exames as minhas unhas eram literalmente praxadas). A mesada também era curta para os desejos de sapatos e afins. Aos 30 uma pessoa sente-se poderosa!

Mas este poder e estrelato em mim durou muito pouco...

Primeiro foi a vesícula. Sim podia queixar-me de olheiras, mas não vou ser picuinhas com isso porque para as olherias existem cremes correctores não sendo necessário qualquer bituri. Mas já que me tiraram a vecícula, podiam ter sido generosos e ter-me extraído também os 2 pneus abdominais (fiz colecção de 1 pneu por gravidez), mas não. Fiquei sem vesícula e com uma barriga maior do que a da Carolina Patrocínio no final da gravidez dela.

Apesar de ter despachado a vesícula, continuo a padecer da gastrite crónica. Assim a cada jantar fora ou de petiscada em casa sento-me à mesa como se fosse uma cartomante... cada garfada é uma cartada de adivinhação dos vómitos ou cólicas do dia seguinte. Isto aos 30 e picos... eu pensei que só aos 50, mas eu sou pessoa precoce. E se eu podia ter alterado a minha alimentação? Poder podia, mas não era a mesma coisa. Prefiro sofrer dos vómitos e cólicas do que arranjar uma depressão por falta de petiscos. Isso podia ser muito sério!

Agora nos últimos tempos tenho uma maleita nova para me entreter e pintalgar mais a minha agenda com consultas médicas e afins. Assim já tenho mais assunto para conversar com as pessoas de idade que gostam tanto de contar com todos os pormenores as últimas doenças e os médicos que vão conhecendo e os remédios...

Infelizmente não posso dizer que a nova maleita tenha charme. Podia ter um   glamour e ser uma doença que me obrigasse até a ir além fronteiras procurar médicos em países super desenvolvidos e aproveitar para fazer umas compras nessas viagens. Mas não!

São só JOANETES!

Ena que nome fantástico para pronunciar... hoje estou mesmo mal dos meus JOANETES!

Joanetes lembra-me BATANETES e o Joan o Parvo do Auto da Barca...

Ter joanetes para além de ser feio, ter nome feio, magoa que se farta.

Ok há doenças mais dolorosas e graves, mas ter joanetes e andar de saltos altos é como passar o dia a andar de joelhos em Fátima a pagar promessas.

Se eu fosse uma pessoa para lá de um 1,75 metro de altura, optava pelos sapatos rasos... mas com 1,53 não tenho como arrasar numa reunião de sabrinas se as pessoas nem me vêem entrar! Podia falar alto, mas iam procurar-me debaixo da mesa ou pedir um banquinho para eu me sentar parecido aqueles dos miúdos no cinema.

Daqui a uns tempos se calhar começo a rejeitar as lentes de contacto e passo a andar rasteira e de óculos. Agora é cruzar os braços e ficar à espera da próxima maleita.  Nessa altura então já nem me vou precupar com correctores de olheiras e a pança de estimação.
Só vejo duas alternativas:

1- Bebo um vodka Corpos Danone e grito que uma pessoa tem que assumir o seu eu.

2- Ou fujo para o Brasil para me internar numa clínica de cirugia estética (ahh e ortopédica também, já me esquecia dos joanetes) para fazer uma revisão geral).

 

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