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Reencontro

01.11.13

As febres não passam e as saudades dos manos aumentavam.

Quando saía do Hospital para estar com o Francisco ficava com o coração em cuidados e os dedos colados ao telemóvel para receber a todo o momento notícias do estado do Manel.

Se estava aqui no Hospital, muitas vezes sentia-me aqui reclusa e impedida de brincar com o Francisco, dar-lhe banho, o jantar, os miminhos da noite e do acordar…

Como já percebi que estas febres me desconsideram completamente e não as posso controlar, decidi hoje dar-lhes o mesmo tratamento e ignorá-las também friamente. Hoje não me impediam de disfrutar do Francisco sem desatenções.

Fui buscá-lo à escola e dei-lhe a notícia que vínhamos ao Hospital ver o Mano. O Francisco teve uma reacção ainda mais entusiasmada do que se eu lhe tivesse anunciado que íamos ao parque.

Chegámos aqui e eu receei as perguntas, algum desconforto que este ambiente hospitalar pudesse provocar no Francisco. Nós os adultos adoramos complicar e antecipar.

Demos as mãos e entrámos na ala pediátrica onde a figura de um panda de peluche gigante ajuda a motivar a chegada. O Francisco maravilhado deu festinhas ao panda e quando se fartou perguntou pelo mano. Percorremos então o corredor e o Francisco curioso visitou com o olhar todos os quartos e enfermarias, sorrindo com quem se cruzava.

Assim que entrámos aqui no quarto do Manel, o Francisco chegou-se ao mano que o brindou com um sorriso cúmplice. Seguiram-se os momentos de inspecção. O Francisco achou graça à cama de grades e até gatinhou por baixo dela, remexeu nas prateleiras, deitou-se no meu cadeirão das noites e não deixou sequer por ver a casa de banho e os desenhos das paredes.

Ficou encantado e não me fez perguntas difíceis. Achou tudo acolhedor e isso bastou.

Improvisámos um lanche de bolachas e o Francisco fez questão de partir bocadinhos pequenos e de os dar à boca do Manel.  Cantou-lhe a música do astronauta e pulou com um sapo para delírio e salva de palmas com gargalhadas do mano.

Há momentos em que me sinto presa, mas esta união de manos não depende de estados febris nem de internamentos. Foi muito bom não ter que repartir por momentos o meu coração e gozá-los aqui juntos e felizes, haja o que houver.

 

 

 

 

 

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10 comentários

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De Alexandra Correia a 01.11.2013 às 19:21

Mini-pessoas com tanta energia positiva são como remédios. Estou em crer que é desta que a febre se vai embora...
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De Monica a 07.11.2013 às 22:50

Demorou um pouco mais do que o previsto, mas a febre lá desamparou a loja!
beijinho grande
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De Irina Duarte Silva a 01.11.2013 às 19:30

<3
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De cristina de sousa a 02.11.2013 às 00:34

Monica,

Estas fotografias que colocas são um incentivo para aqueles que te seguem, o sorrisos que tu e os teus filhotes oferecem são o sintoma de uma felicidade sentida, mesmo nos momentos adversos da vida. Rir é o antibiótico, a cura para tristezas e anseios. A boa disposição está apenas ao alcance daqueles que abrem o coração ao optimismo é á esperança, para aqueles que como tu acreditam e se esforçam por acreditar. Obrigado amiga, por teres no coração a força dessa vontade inabalável de acreditar. Faz bem ao coraçao saber que pesoas como tu existem.

Um beijo

Cristina
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De Monica a 07.11.2013 às 22:50

Obrigada Amiga. Também és para mim um grande exemplo de força e coragem. Adoro-te bj grande
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De Maria ou Paula a 03.11.2013 às 23:27

Mónica,
Sou amiga do Rui e tenho vindo aqui dar uma espreitadela com regularidade.
Porque escreves muito bem.
Porque "falas" com todos os que te lêem.
Porque nalguns momentos difíceis consegues arranjar forças sabe Deus onde e relatas as coisas com uma serenidade e, por vezes, até com comicidade.
Porque a doçura que relatas, seja na forma como falas principalmente dos teus filhos, seja na forma como eles se relacionam um com o outro, é absolutamente encantadora.
Parabéns aos quatro!
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De Monica a 07.11.2013 às 22:51

<3 Fiquei comovida a ler isto. Muito muito obrigada.
beijinhos
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De Ana Meira a 04.11.2013 às 09:43

Não conhecia o Blog e fiquei enternecida.
A vida prega-nos partidas e rasteiras e a doença de um filho é uma partida desgraçada e sempre sentida como injusta.
Porque o meu filho, o meu anjo? Mas... como meu filho bem me disse uma vez "shit happens" e temos que fazer um super sorriso e seguir para a frente.
Mónica, tem 2 filhos encantadores e os afectos são uma ajuda incontestável para a cura e para melhorar o ânimo.
Tem uma excelente sensibilidade de mãe. Parabéns!
Sorte para si e para os seus anjos e, nunca perca este sentido de humor, este sorriso e a sua esperança :)
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De Monica a 07.11.2013 às 22:51

De facto não nos conhecemos, mas aceite o grande abraço meu.
Muitos beijinhos e obrigada por estas palavras de força

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